Aliado diz que governador afastado do Tocantins estava "guloso"
Investigação levantou o pagamento de R$ 550 mil em propina a Wanderlei Barbosa, em um contrato com a empresa Sabores Regionais, para fornecer 50 mil frangos congelados, mas 15 mil foram entregues

Investigações da Polícia Federal sobre o escândalo envolvendo desvio de recursos públicos no Tocantins, onde o governador Wanderlei Barbosa foi afastado do cargo, mostra que aliados do governador foram flagrados em atitudes que ridicularizam o esquema de corrupção, tirando fotos com maços de dinheiro e discutindo estratégias fraudulentas relacionadas a entregas de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, nesta quarta-feira (04), pelo afastamento de Barbosa, dando início à segunda fase da Operação Fames-19, que investiga fraudes em contratos governamentais entre 2020 e 2021. As investigações apontam um "verdadeiro balcão de negócios" na administração de Barbosa.
Em resposta às acusações, o governador se manifestou por meio de nota, negando qualquer participação no esquema:
“As tentativas de vinculá-lo ao caso se apoiam unicamente em falas de terceiros reproduzidas em investigação policial, sem qualquer prova material ou evidência concreta”.
A investigação revelou mensagens comprometedoras. Em um dos diálogos interceptados, Paulo César Lustosa Limeira, ex-marido da primeira-dama Karynne Sotero Campos, afirma que o governador estava "guloso" pelos recursos. Wilton Rosa Pires, irmão de Limeira, chamou os pagamentos de propina de "bênção".
Limeira e Pires são apontados como peças-chave no esquema: o primeiro, como intermediador de propinas, e o segundo, operando os desvios. Até o momento, nenhum dos dois se pronunciou.
Além das mensagens, imagens documentadas mostram Marcus Vinícius Santana, filho de Ticiano Darles Santana Sousa — assessor especial de Barbosa — ostentando maços de dinheiro. Marcus, segundo a PF, atuava como operador financeiro, gerenciando saques e transferências, com repasses destinados ao assessor e sobrinho do governador, Thiago Marcos Barbosa de Carvalho, que redistribuía entre o grupo.
Os envolvidos no esquema chegaram a criar listas com nomes e CPFs falsos para simular a distribuição de cestas básicas. Este ponto sublinha o caráter audacioso e meticuloso do esquema.
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A investigação também levantou o pagamento de R$ 550 mil em propina ao governador, em um contrato com a empresa Sabores Regionais, para fornecer 50 mil frangos congelados — dos quais apenas 15 mil foram entregues. Conversas interceptadas sugerem que a dívida seria quitada por meio de futuras licitações fraudulentas.
Em 2023, a empresária da Sabores Regionais confirmou a devolução do montante pago como propina, fortalecendo os indícios do esquema.
Com a continuação das investigações, a expectativa é que novas revelações possam emergir, trazendo maior clareza ao alcance e à profundidade do esquema descoberto pela PF.

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