Alego quer colocar ponto final na "guerra" entre Bia de Lima e Amauri Ribeiro e deve punir os dois
Relatórios do Conselho de Ética preveem punições diferentes para os dois deputados e devem ser votados nesta quarta-feira. Enquanto isso, Amauri também tenta escapar de ação por violência política de gênero

Depois de mais de um ano de trocas de acusações, bate-bocas e processos, a disputa entre os deputados estaduais Bia de Lima (PT) e Amauri Ribeiro (UB) pode finalmente ter um desfecho dentro da Assembleia Legislativa de Goiás. Os relatórios elaborados pelo Conselho de Ética, que recomendam punições aos dois parlamentares, devem ser colocados em votação nesta quarta-feira (10).
O caso começou após uma série de confrontos públicos entre os dois deputados. Bia acusa Amauri de ofensas pessoais e ataques políticos ocorridos durante discussões no plenário. A deputada afirma que o processo demorou excessivamente e critica o que considera uma tentativa de evitar uma punição.
“Demorou por demais e continua buscando-se mecanismos, justamente para continuar colocando debaixo do tapete, colocando mecanismos para prorrogar, postergar, esticar e não ter a devida punição ao agressor que ataca as mulheres e ataca o parlamento”, declarou.
A investigação interna enfrentou atrasos ao longo do caminho. O primeiro relator do caso, deputado Major Araújo (PL), acabou sendo considerado suspeito para seguir conduzindo o processo após também se envolver em discussões dentro da Casa. Com isso, a relatoria da representação apresentada por Bia passou para o deputado Dr. Jorge Moraes (MDB).
Amauri Ribeiro, por sua vez, também apresentou denúncia contra Bia de Lima no Conselho de Ética. O parlamentar sustenta que foi igualmente alvo de ofensas e argumenta que os confrontos ocorreram no campo político.
“Ela falou o que ela queria e eu falei o que eu queria. Ela defende a sua ideologia, eu defendo a minha. Nunca foi uma discussão entre um homem e uma mulher, uma discussão entre dois deputados”, afirmou.
A representação contra Bia ficou sob responsabilidade da deputada Rosângela Rezende (Agir).
A disputa ganhou um novo capítulo em março deste ano, quando o Ministério Público Eleitoral denunciou Amauri Ribeiro por suposta violência política de gênero contra Bia de Lima. O órgão apresentou ação no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás.
No entanto, a continuidade desse processo pode depender da própria Assembleia. O deputado Lincoln Tejota (União Brasil) protocolou um decreto legislativo para suspender a ação penal. A proposta se baseia em dispositivo previsto na Constituição Estadual e argumenta que as declarações de Amauri estariam protegidas pela imunidade parlamentar no exercício do mandato.
Caso o decreto seja levado ao plenário e aprovado pela maioria dos deputados, a ação poderá ser suspensa.
Desde o início da crise, o presidente da Assembleia, Bruno Peixoto, vinha prometendo providências para apurar possível quebra de decoro parlamentar. Na época, afirmou que o caso seria encaminhado ao Conselho de Ética para adoção das medidas cabíveis.
Mesmo assim, mais de um ano se passou sem qualquer punição efetivamente aplicada. Nesse período, a imagem da Assembleia voltou a sofrer desgaste após novos confrontos envolvendo Amauri Ribeiro e Major Araújo.
Questionada novamente sobre o andamento dos processos, a presidência da Casa informou que apenas o presidente do Conselho de Ética, deputado Charles Bento (MDB), comentaria o assunto.
Charles reconheceu a demora, mas garantiu que os pareceres já estão concluídos e estabelecem punições para ambos os parlamentares.
“Realmente vai haver punições, punições diferentes de um e de outro. Após ser apurado e colocado em apreciação no plenário e ser votado, se tiver de rever o processo, ele pode ser encaminhado para a mesa. Se não tiver, ele vai ser apreciado e já vai ser colocada em prática a punição imediata”, afirmou.
Nos bastidores da Assembleia, a expectativa é de que Bia de Lima receba uma advertência, enquanto Amauri Ribeiro seja alvo de uma sanção considerada mais severa. As informações, porém, ainda dependem da votação oficial dos relatórios.
Às vésperas da decisão, os dois parlamentares seguem defendendo versões opostas sobre o episódio.
“Eu não sou agressora de ninguém, eu sou a vítima”, afirmou Bia.
Já Amauri rebateu: “Se houve erros, foram erros de ambos os lados. Todas as discussões que eu tive com essa deputada aqui foi com a deputada. Infelizmente, nesse país, o vitimismo virou moda”.
Agora, a expectativa se volta para a sessão desta quarta-feira, quando os deputados terão a missão de decidir se a longa disputa terminará apenas com advertências ou com punições capazes de marcar um dos episódios mais turbulentos da atual legislatura goiana.

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