Alego faz “acordão” de "punição fake" para livrar deputado bolsonarista de possível cassação no TRE
Deputado do PL fica proibido de usar a tribuna por um mês após ataques à petista Bia de Lima, mas continua recebendo salário e votando. Na mesma sessão, maioria aprova suspensão de ação no TRE por violência política de gênero

A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) aprovou nesta quinta-feira (11) uma punição contra o deputado estadual Amauri Ribeiro (PL) pelas sucessivas discussões e ataques direcionados à deputada Bia de Lima (PT). No entanto, na mesma sessão, os parlamentares também aprovaram um decreto legislativo que suspende uma ação penal eleitoral contra o deputado, movimento que nos bastidores foi interpretado como um acordo para evitar consequências mais graves ao bolsonarista.
A penalidade aplicada pelo Conselho de Ética impede Amauri de utilizar a tribuna durante as sessões ordinárias por 30 dias. Apesar da suspensão, ele continuará exercendo o mandato normalmente, mantendo o direito de votar nas matérias e recebendo salário integralmente.
Ao colocar o relatório em votação, o presidente da Assembleia, Bruno Peixoto, justificou a medida.
“Suspendendo por 30 dias, por ter utilizado palavras ofensivas a um parlamentar, uma parlamentar”, afirmou.
Antes da votação, Amauri Ribeiro tentou se defender e criticou a punição.
“Quando eu a questiono, simplesmente, sou condenado porque eu discuti com uma mulher. Senhoras e senhores, eu acho que todo mundo é igual, principalmente nessa tribuna. Não concordo e vou votar não”, declarou.
Mais de um ano após os episódios envolvendo os embates entre os dois deputados, o relatório foi aprovado por ampla maioria: 23 votos favoráveis e apenas quatro contrários.
Logo em seguida, porém, a Casa analisou outro tema envolvendo Amauri. Os deputados votaram um decreto legislativo apresentado pelo líder do União Brasil, Lincoln Tejota, suspendendo o andamento de uma ação penal contra o parlamentar no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO).
Amauri foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral por suposta violência política de gênero contra Bia de Lima em nove situações distintas. A parlamentar, inclusive, prestou depoimento como vítima pela primeira vez nesta semana.
Nos corredores da Assembleia, a avaliação era de que a punição aprovada pelo Conselho de Ética serviria como uma espécie de compensação para viabilizar a suspensão do processo judicial. Caso fosse condenado pelo TRE, Amauri poderia enfrentar obstáculos para disputar a reeleição.
A bancada do PT tentou alterar o texto para impedir que a medida alcançasse o processo eleitoral, mas a proposta não avançou. Segundo Bruno Peixoto, o regimento interno da Assembleia não permite emendas em requerimentos desse tipo.
Durante o debate, Bia de Lima criticou duramente a iniciativa da Casa.
“A Assembleia durante esses três anos conviveu no silêncio com estas contínuas tentativas e ataques. Não tem amparo legal, nem nesse decreto legislativo, tampouco a Assembleia querer impedir que o tribunal cumpra o seu papel, que o TRE faça o seu papel”, afirmou.
Amauri voltou à tribuna e acabou admitindo a existência de um entendimento político nos bastidores.
“Eu achei que a deputada tinha força suficiente para adentrar em uma discussão em igualdade, mas não a tem. Só não derrubamos essa votação do Conselho de Ética, como eu disse, eu sou o boi de piranha e eu deixei, porque senão não teria passado. Eu teria pedido aos deputados para votarem contra, porque me pediram qual voto eu queria. E eu disse, podem votar sim”, declarou.
Ao final da sessão, o decreto legislativo também foi aprovado por ampla maioria: 28 votos favoráveis e três contrários.
Com a decisão, a Alego suspende a ação penal que tramitava contra Amauri Ribeiro no TRE-GO. Tanto a punição imposta pelo Conselho de Ética quanto o decreto legislativo entram em vigor após a publicação oficial prevista para esta sexta-feira (12).

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