Alcolumbre promulga Lei da Dosimetria, que pode beneficiar Bolsonaro
Como Lula não promulgou a norma dentro do prazo constitucional de 48 horas, a atribuição passou ao presidente do Senado.

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (UB), promulgou nesta sexta-feira (8) a chamada Lei da Dosimetria, que altera regras de cálculo de penas para condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. A nova legislação também pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar.
O texto será publicado em edição extra do Diário Oficial da União. A lei havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado em novembro de 2025, mas foi vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia 8 de janeiro deste ano. Na última semana, porém, o Congresso Nacional derrubou o veto presidencial.
Como Lula não promulgou a norma dentro do prazo constitucional de 48 horas, a atribuição passou ao presidente do Senado.
“Nos termos da Constituição Federal, compete ao presidente do Senado Federal promulgar a lei quando o presidente da República não o faz no prazo constitucional de 48 horas”, informou a Presidência do Senado em comunicado.
O que muda
A nova legislação altera a interpretação aplicada atualmente pelo Supremo Tribunal Federal sobre os crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Até então, as penas podiam ser somadas, aumentando o tempo total de prisão dos condenados.
Com a mudança, passa a prevalecer apenas a punição referente ao crime mais grave, reduzindo o tempo total das condenações. O texto também prevê diminuição de pena entre um sexto e dois terços para acusados que participaram dos atos em meio à multidão, desde que não tenham financiado ou liderado as ações.
A lei modifica ainda as regras de progressão de regime, permitindo que condenados possam solicitar passagem ao semiaberto após o cumprimento de um sexto da pena. A progressão, no entanto, dependerá de análise individual do STF.
Segundo estimativas ligadas ao texto aprovado, a medida pode beneficiar ao menos 179 pessoas condenadas pelos atos de 8 de janeiro, incluindo presos em regime fechado, domiciliar e preventivo.
Caso de Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, também poderá ser impactado pela nova legislação. Com a alteração nas regras de dosimetria, a pena poderá ser reduzida, antecipando a possibilidade de progressão de regime.
Atualmente, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar temporária autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. A medida foi concedida em março, por 90 dias, em razão de problemas de saúde relacionados a um quadro de broncopneumonia.
Durante a análise da derrubada do veto presidencial, Davi Alcolumbre retirou trechos do projeto que poderiam flexibilizar a progressão de regime para crimes hediondos, feminicídio e atuação em milícias. Com isso, permaneceram válidas as regras mais rígidas previstas na Lei Antifacção para esses delitos.

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