Agentes da PF e do Exército dão “batida” nos endereços de oficiais no Marista e na Vila Militar
Oficiais do Exército em Goiânia são investigados como membros de organização criminosa, com suposta ligação com Bolsonaro, com intenção de dar golpe de Estado

Batidas da Polícia Federal (PF), com apoio do Exército Brasileiro, dentro da operação “Tempo da Verdade”, em Goiás, teve como alvo oficiais do Exército aqui da Capital. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos endereços deles na Avenida 85, Setor Marista, e na Vila Militar, no início da manhã desta quinta-feira (08).
De acordo com as primeiras informações sobre o cumprimento de mandado na Vila Militar, uma viatura com cinco policiais chegou ao endereço, fez o trabalho de buscas e os agentes deixaram o local carregando vários malotes.
Polícia Federal não deu maiores informações, não identificou o alvo e não especificou o que estaria sendo buscado. Apenas declarou que todas as informações são concentradas em Brasília.
O mesmo aconteceu nos endereços no Marista, onde os agentes deram buscas e saíram carregando malotes, supostamente, de documentos e equipamentos eletrônicos para investigação.
Em Goiânia, as viaturas foram vistas nas ruas desde às 6h30 desta quinta-feira (08).
Os alvos são investigados como membros de uma suposta organização criminosa acusada de tentar um golpe de Estado e abolir o Estado Democrático de Direito para manter o então presidente da República, Jair Bolsonaro (PL) no poder após o resultado das eleições de 2022.
Além dos oficiais do Exército em Goiânia, também são alvo da operação aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre eles, está o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto; o ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno; além dos ex-ministros Braga Netto (Casa Civil) e Anderson Torres (Justiça).
A PF deve cumprir nesta quinta-feira (08) 33 mandados de busca e apreensão, quatro de prisão preventiva e 48 medidas cautelares diversas da prisão em Goiás e outros oito estados, além do Distrito Federal.
As medidas cautelares incluem a proibição de manter contato com os demais investigados, a proibição de se ausentar do país com a entrega dos passaportes no prazo de 24 horas e a suspensão do exercício de funções públicas.
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As apurações indicam que o grupo investigado se dividiu em núcleos de atuação para disseminar a ocorrência de fraude nas Eleições Presidenciais de 2022, antes mesmo da realização do pleito, de modo a viabilizar e legitimar uma intervenção militar, em dinâmica de milícia digital.
O primeiro eixo de atuação consistiu na construção e propagação da versão de fraude nas eleições de 2022, por meio da disseminação de que a urna eletrônica poderia ser adulterada. Este discurso foi reiterado pelos investigados desde 2019 e persistiu mesmo após os resultados do segundo turno do pleito em 2022.
O segundo eixo de atuação consistiu na prática de atos para subsidiar a abolição do Estado Democrático de Direito, por meio de um golpe de Estado, com apoio de militares com conhecimentos e táticas de forças especiais no ambiente politicamente sensível.
Os fatos investigados configuram, em tese, os crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. As investigações continuam em andamento.

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