Aeronáutica explica que usa Viagra para hipertensão pulmonar e não para disfunção erétil
Questionamento ocorreu após o deputado Elias Vaz enviar requerimento ao Ministério da Defesa pedindo informações sobre o motivo da compra de 35,2 mil comprimidos para Forças Armadas.

A Aeronáutica afirmou, nessa segunda-feira (11), que seu setor médico usa Viagra para o tratamento hipertensão arterial pulmonar em pacientes com esclerose sistêmica, para melhor controle do fenômeno de raynaud em pessoas acometidas pela grave doença, e não para disfunção erétil, principal uso indicado do medicamento.
Os questionamentos começaram depois que o deputado federal por Goiás, Elias Vaz (PSB), apresentou requerimento pedindo que o Ministério da Defesa explique a compra de pelo menos 35,2 mil unidades do remédio entre os anos de 2020 e 2021 para as Forças Armadas.
"Entre os usos atualmente aprovados da sildenafila estão principalmente o tratamento para hipertensão arterial pulmonar e para melhor controle do fenômeno de raynaud numa doença grave denominada esclerose sistêmica, o que endossa e motiva a aquisição para utilização do aludido medicamento especialmente no âmbito hospitalar. A utilização para o tratamento da disfunção erétil não se encontra priorizada nesse tipo de aquisição", explicou.
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"Reiteramos que nossos processos licitatórios são transparentes, com estreita observância aos princípios constitucionais e utilização das ferramentas institucionais e dos sistemas oficiais de compras do Governo Federal, sendo submetidas à fiscalização dos órgãos de controle, interno e externo", continuou.
A Marinha declarou ainda que todo o processo licitatório foi realizado dentro da lei."Trata-se de doença grave e progressiva que pode levar à morte. A associação de fármacos para a HAP [hipertensão arterial pulmonar] vem sendo pesquisada desde a década de 90, estando ratificado, conforme as últimas diretrizes mundiais (2019), o uso da sildenafila, bem como da tadalafila, com resultados de melhora clínica e funcional do paciente", defendeu.
O Exército e o Ministério da Defesa ainda não se manifestaram.A denúnciaEliaz Vaz usou dados do Portal da Transparência e do Painel de Preços do governo federal como base das denúncias. Por lá, há registrados oito pregões homologados nos últimos dois anos e ainda em vigor neste ano.
"Apresentei um requerimento cobrando explicações do Ministério da Defesa para mais esse gasto imoral. No início do mês tivemos um reajuste alto no preço dos remédios, os hospitais sofrem com a falta de medicamentos, Bolsonaro e sua turma usam dinheiro público para comprar o azulzinho", disse o parlamentar.
A questão é que o medicamento não foi o único comprado pelo Governo, que chamou a atenção. O órgão também teria feito a compra de Minoxidil e Finasterida, usado para combater a calvície masculina. Apesar de o valor ser de apenas R$ 2,1 mil empenhados entre 2018 e 2020, deputados querem saber por qual motivo foram feitas as compras desses medicamentos.

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