Advogado contratado por gabinete de Fabrício Rosa defende acusados de roubar a Comurg
Diogo Mota tem cargo comissionado com salário de R$ 6 mil na Câmara de Goiânia. Dúvida que incomoda não é jurídica, mas, sim, ética.

Um advogado pago com dinheiro público defende, agora, quem é acusado de desviar dinheiro público. O nome dele é Diogo Mota. Ele está na folha da Câmara Municipal de Goiânia, com cargo comissionado no gabinete do vereador Fabrício Rosa (PT), e também representa os servidores afastados da Comurg, investigados por suposto recebimento indevido de valores por meio de acordos judiciais.
O salário bruto ultrapassa os R$ 6 mil — dinheiro saindo do bolso do contribuinte para pagar alguém que, na outra ponta, trabalha contra o próprio interesse público.
A Controladoria-Geral do Município quer que os valores recebidos pelos investigados sejam devolvidos e já afastou os envolvidos da função. Diogo, no entanto, diz que a medida foi ilegal e precipitada. Alega que não houve processo disciplinar finalizado e nem intimação judicial formal. Mesmo assim, os repasses aconteceram em duas gestões seguidas da Companhia de Urbanização de Goiânia.
A situação é legal, segundo o Estatuto da OAB. A regra permite que advogados ocupem cargos públicos comissionados desde que não atuem contra o órgão que os paga — e é aí que começa a confusão moral.
A Prefeitura banca a Câmara. A Câmara paga o advogado. E o advogado defende quem a Prefeitura quer punir. Parece uma conta que fecha — menos para a população.
Diogo Mota é especialista em Direito Administrativo. Mas a dúvida que incomoda não é jurídica. É ética.

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