A poucos metros da presidência, procurador usava salas de reunião para dar golpe em famílias de luto
Alego serviu como cenário para a operação do esquema. A DECCOR indica que o falso "serviço de assessoria tributária" era promovido inclusive em salas de reuniões

As investigações da Operação Prince John revelaram um grupo criminoso que explorava a vulnerabilidade de pessoas enlutadas que precisavam regularizar a transmissão de bens de parentes falecidos. O esquema consistia em aliciar essas vítimas com a promessa enganosa de reduzir as alíquotas do ITCMD. Para dar credibilidade à fraude, o grupo utilizava falsificações que simulavam recolhimentos legítimos do imposto, além das dependências da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e a influência do procurador Cristiano Oliveira Siqueira, preso na manhã desta terça-feira (20), como um dos alvos principais dessa operação.
De acordo com as apurações, a Alego serviu como cenário para a operação do esquema. A DECCOR indica que o falso "serviço de assessoria tributária" era promovido inclusive em salas de reuniões reservadas dentro da própria Assembleia, que fica a metros da presidência, o que choca ainda mais pela ousadia desse servidor, que agia com a certeza da impunidade e articulava o crime durante anos dentro da Casa de Leis.
A presença e o prestígio do procurador Cristiano Oliveira foram cruciais para conferir uma aparência de autenticidade e respaldo institucional às atividades fraudulentas, convencendo inúmeras vítimas a aderir ao golpe.
O volume financeiro movimentado pelo núcleo operacional do esquema entre 2020 e 2024 é estarrecedor: R$ 352 milhões. Desse total, impressionantes R$ 54.491.759,39 foram trocados diretamente entre os envolvidos, evidenciando a distribuição dos lucros ilícitos. A investigação também detectou um alto volume de saques em espécie, totalizando 2.629 operações que somaram R$ 3.962.778,32 no mesmo período. A voracidade do grupo é exemplificada por um caso extremo de extorsão, no qual uma única vítima transferiu R$ 17 milhões aos criminosos.
Outro lado
“A Assembleia Legislativa de Goiás não tem conhecimento da operação da Polícia Civil que investiga um dos servidores da Casa. A Alego não se responsabiliza por qualquer ato ilícito cometido por qualquer um dos servidores que não tenha relação com a administração legislativa. A Assembleia Legislativa de Goiás reprova veementemente este tipo de conduta e está à disposição da Polícia Civil e dos órgãos competentes para colaborar com as investigações”, diz a íntegra da nota emitida pela Alego.

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