"Zandin" era o cara no suposto esquema que desviou R$ 1,5 milhão da prefeitura de Goiânia
Então secretário de Cultura era chamado desta forma pelo presidente da Associação Clube Clássicos Goiânia, Jean Jesus

Reportagem do jornal O Popular trouxe em destaque que o inquérito que culminou na investigação deflagrada nesta terça-feira (26) pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor), denominada Operação Goiânia En(Cena), foi baseada em trocas de mensagens que detalham solicitações de liberação de recursos, pedidos de favores e orientações sobre a destinação de verbas públicas.
Os desvios teriam ocorrido entre os anos de 2023 e 2024, durante a gestão de Rogério Cruz (SD). O inquérito destaca a relação entre o vereador e ex-titular da Secult, Zander Fábio (Podemos), e o presidente da Associação Clube Clássicos Goiânia, Jean Jesus Magno Lima e Silva. Em julho de 2024, Jean enviou a seguinte mensagem a Zander: "Zandin, você é o cara, né, velho!? Chega na sua mão, o trem resolve. Já deu certo, tá aqui já".
Zander Fábio quanto Jean Jesus, além de Welton da Silva Nogueira — colaborador da associação —, foram presos durante a operação. Segundo as investigações, mesmo após deixar a Secult para disputar a reeleição, Zander Fábio mantinha influência sobre a pasta, que passou a ser chefiada por Eduardo Pereira de Souza, também alvo de mandados de busca e apreensão. A apuração do jornal O Popular aponta ainda o envolvimento do então vereador Leandro Sena, que também foi alvo de busca e apreensão.
A polícia afirma que Leandro era acionado sempre que havia entraves nos pagamentos da secretaria. Em uma das trocas de mensagens, após Jean informar que "o dinheiro caiu", Leandro respondeu: "Tudo resolvido, chefe", em referência à confirmação de pagamentos.
O inquérito indica, ainda, a participação de Alessandro Sena, irmão de Leandro, também alvo de buscas. Mensagens revelam que Jean, ao receber os recursos, teria orientado o filho a transferir R$ 9 mil para Alessandro. A investigação A operação apura irregularidades em repasses que somam R$ 1,5 milhão destinados a eventos de exposição de carros antigos.
Os investigadores suspeitam da utilização de empresas de fachada e do retorno de parte dos valores aos agentes públicos envolvidos. Zander Fábio, que não foi reeleito em 2024, assumiu uma vaga como suplente na Câmara Municipal no mês passado.
Por meio de seu advogado, Marcelo Di Rezende, a defesa classificou a prisão como "totalmente desnecessária", negou a existência de irregularidades e afirmou que o vereador está à disposição das autoridades.
As defesas dos demais investigados ainda não foram localizadas pela reportagem.

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