Vereador tucano é acusado de importunar sexualmente estagiária e pode perder mandato; assista
Polícia diz que câmeras registraram contato físico “invasivo e sem consentimento”; Lucieldo da Silva pediu desculpas, alegou gesto involuntário e agora enfrenta processo por quebra de decoro

O vereador Lucieldo da Silva (PSDB), de Currais Novos (RN), foi indiciado pela Polícia Civil por importunação sexual contra uma estagiária da Câmara Municipal. Segundo a corporação, imagens de segurança comprovaram um contato físico invasivo e sem consentimento na região dos glúteos da jovem. Além do inquérito criminal, o parlamentar enfrenta um processo por quebra de decoro que pode terminar na cassação do mandato.
O episódio investigado aconteceu em 30 de junho de 2026, minutos antes do início de uma sessão plenária na Câmara de Currais Novos.
Durante a investigação, a Polícia Civil ouviu a estagiária e testemunhas e analisou imagens das câmeras de segurança instaladas na própria Casa Legislativa.
No relatório que encerrou o inquérito, a polícia afirmou que as gravações comprovaram, de maneira “nítida e incontestável”, um contato físico invasivo e sem consentimento na região dos glúteos da estagiária.
Diante dos elementos reunidos, Lucieldo foi indiciado com base no artigo 215-A do Código Penal, que prevê o crime de importunação sexual. A legislação estabelece pena de um a cinco anos de prisão para quem pratica ato libidinoso contra outra pessoa, sem consentimento, com o objetivo de satisfazer desejo sexual próprio ou de terceiro, desde que a conduta não configure crime mais grave.
Com a conclusão da investigação, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do Rio Grande do Norte. Caberá agora ao órgão analisar o material e decidir se apresenta denúncia formal contra o vereador à Justiça.
O caso também chegou ao plenário da Câmara. Na sessão de 11 de agosto, Lucieldo usou a tribuna para apresentar sua versão sobre o episódio.
O vereador pediu desculpas à estagiária, mas afirmou que o gesto teria sido involuntário. Ele negou qualquer intenção de assediar, desrespeitar ou constranger a jovem.
Lucieldo também afirmou ser uma pessoa extrovertida e brincalhona e disse manter uma relação de amizade com a estagiária. Segundo o parlamentar, as imagens divulgadas seriam apenas um recorte de um contexto mais amplo.
Ainda durante o pronunciamento, ele alegou que o episódio estaria sendo explorado para alimentar uma disputa política.
Enquanto o vereador se defendia, mulheres acompanharam a sessão na galeria da Câmara e exibiram cartazes em protesto contra a violência de gênero.
No mesmo dia, a pressão política sobre Lucieldo aumentou. Por unanimidade, o plenário da Câmara Municipal aprovou a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra ele.
Os 11 vereadores presentes votaram pelo recebimento da denúncia. O procedimento seguirá agora dentro da Câmara e poderá resultar na cassação do mandato de Lucieldo.

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