Veja quem são o vereador, ex-prefeito e “comparsas” que fraudavam “cirurgias” em Goiás
Os acusados foram presos durante a “Operação Hipócrates”, deflagrada pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (DECCOR), com apoio do Ministério Público, na quinta-feira (09), em algumas cidades de Goiás

A “Operação Hipócrates”, deflagrada pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (DECCOR), na manhã dessa quinta-feira (09), para investigar “venda” de vagas na fila de regulação do Sistema Único de Saúde (SUS), em Goiás, prendeu preventivamente 5 envolvidos, entre eles Odete Teixeira Magalhães, ex-prefeito de Teresina de Goiás, e Joubert Tolentino Meira, vereador de primeiro mandato em São Miguel do Araguaia.
Odete e Joubert seriam “intermediários” e faziam a ponte entre a pessoa que queria pagar para ser incluída na fila do SUS e os operadores do sistema, que tinham o acesso para inserir os dados no sistema de saúde e fraudar a fila.
O ex-prefeito foi eleito em 2004, mas teve seus direitos políticos suspensos em 2018, após ser condenado por ato de improbidade administrativa relacionado à simulação de contratação com pessoa para favorecer apadrinhados políticos.
Com a decisão, que acolheu um pedido feito pelo Ministério Público em 2008, ele também ficou proibido de contratar com o poder público por três anos. Na ação, foi apontado que, quando prefeito, Odete praticou ato de improbidade administrativa consistente na violação aos princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa.
Joubert foi eleito em 2021. De acordo com o portal da Câmara Municipal de São Miguel do Araguaia, ele já participou da comissão de Educação, Cultura, Saúde Previdência e Assistência Social e da de Defesa do Meio Ambiente.
Em nota, o Cidadania, partido de Joubert, informou que repudia atos que visam a burlar as regras e legislações vigentes na saúde ou outros setores da administração pública. Além disso, o partido disse que, se confirmada a participação de membros do partido, eles serão punidos nos termos previstos nos Estatutos.
Ismaclei Junior Tavares foi outro alvo e preso em Goianira. Ele foi flagrado dentro de casa com o Sistema de Regulação aberto no computador e com diversas fichas de pacientes. Foi constatado que ele nunca foi servidor da Saúde, seja do Estado ou de algum município, mas tinha mais de 15 senhas de acesso ao sistema de regulação e só nos últimos seis meses incluiu mais de 1900 na fila do SUS.
Outro alvo, que não teve o nome divulgado, seria um ex-servidor da Saúde de Goiás, demitido em 2015, mas que estaria trabalhando em um cargo em comissionado na Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia.
Ainda não há informações sobre o quinto preso envolvido no esquema.
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Operação Hipócrates
A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (DECCOR), deflagrou, na manhã de quinta-feira (09), a “Operação Hipócrates”, que tem por finalidade o cumprimento de 5 mandados de prisão temporária, 12 de busca e apreensão e 5 de afastamento cautelar das funções públicas, em decorrência da prática de fraudes e corrupção no sistema de regulação médica estadual. Entre os alvos, servidores que operavam na regulação, pessoas comuns e políticos.
Durante a investigação, se descobriu que pessoas estavam pagando a operadores do sistema de regulação até R$ 5 mil para que fossem incluídas indevidamente na fila de regulação médica do Estado e/ou “pulassem” na fila de prioridade, a fim de que pudessem realizar cirurgias eletivas, consultas médicas, exames e internações custeados pelo serviço público de saúde, causando a sobrecarga nas vagas das unidades hospitalares, em prejuízo daqueles que de fato necessitam realizar os procedimentos médicos.
A maioria dos casos se refere a procedimentos cirúrgicos para fins meramente estéticos. Suspeita-se que, só nos últimos 06 meses, apenas um operador tenha feito mais de 1.900 inserções fraudulentas no sistema de regulação médica estadual, considerando que alguns operadores sequer são vinculados a Unidades de Saúde do Estado ou dos municípios.
Foram cumpridos mandados em Goiânia, Goianira, Anápolis, Damolândia, São Miguel do Araguaia e Teresina de Goiás. São investigados crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, inserção de dados falsos em sistema de informação e associação criminosa.
A Secretaria Estadual de Saúde de Goiás explica que "a ação deflagrada nesta quinta-feira (09) é reflexo do trabalho de uma força-tarefa instalada na SES-GO, por determinação do governador Ronaldo Caiado, e participação da Controladoria-Geral do Estado, antes da atual gestão da secretaria. A pasta ressalta que a investigação está na esfera da Polícia Civil de Goiás, com a qual a SES firmou um convenio de cooperação, concedendo a polícia, acesso a qualquer dado necessário".

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