Técnico de enfermagem goiano, que matou pacientes em UTI, pode ter matado crianças
Parte da apuração se concentra no período em que Marcos Vinícius Silva atuou em UTI pediátrica, o que levanta a suspeita de possíveis cr!m3s contra cr!anç@s — hipótese ainda sob investigação

A Polícia Civil investiga se o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, que confessou ter provocado a morte de pacientes internados em uma UTI no Distrito Federal, pode ter feito outras v!t!mas em diferentes unidades de saúde — incluindo um hospital infantil onde ele atuou recentemente.
Morador de Águas Lindas de Goiás, no Entorno do DF, Marcos trabalhava havia cerca de cinco anos na área. Segundo a polícia, ele não apresentou motivação para os cr!m3s durante o depoimento. A confessão ocorreu após investigadores exibirem imagens do circuito interno da UTI, que mostram o técnico aplicando substâncias nos pacientes pouco antes das intercorrências fatais.
A Delegacia de H0m!cíd!0s também apura se o suspeito esteve envolvido em outras mortes ocorridas em hospitais do DF. Parte da apuração se concentra no período em que ele atuou em UTI pediátrica, o que levanta a suspeita de possíveis cr!m3s contra crianças — hipótese ainda sob investigação.
Além de Marcos, duas técnicas de enfermagem que trabalhavam com ele em um hospital de Taguatinga foram presas: Amanda Rodrigues de Souza, 28, e Marcela Camille Alves da Silva, 22. De acordo com a polícia, as investigações indicam que ambas tinham conhecimento das aplicações irregulares e não intervieram.
Em coletiva, o delegado responsável afirmou que as colegas “sabiam que a aplicação direta na veia daqueles produtos poderia causar m0rt3 e, mesmo assim, não fizeram nada”, acrescentando que imagens mostram as profissionais observando o ambiente enquanto Marcos realizava os procedimentos.
A primeira v!t!ma identificada foi a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75, que morreu em 17 de novembro. Segundo a polícia, ela sofreu sucessivas intercorrências após receber substâncias aplicadas de forma inadequada. No mesmo dia, também faleceu o servidor público João Clemente Pereira, 63, que estava internado após complicações cirúrgicas. Familiares relataram estranhamento diante da causa da m0rt3, já que o paciente não apresentava histórico cardíaco.
A terceira m0rt3 atribuída ao técnico é a de Marcos Raimundo Fernandes Moreira, 33, servidor dos Correios, ocorrida no início de dezembro. Ele havia dado entrada no hospital com suspeita de pancreatite e deixou esposa e uma filha de cinco anos.
Segundo a polícia, Marcos utilizava acessos indevidos a sistemas médicos para registrar prescrições e retirar medicamentos, que eram aplicados nos pacientes. Após as aplicações, as v!t!mas apresentavam parada cardíaca em curto intervalo de tempo. Em alguns casos, o próprio técnico teria tentado reanimação.
As suspeitas surgiram após a comissão de óbitos do hospital identificar um padrão incomum nas mortes ocorridas na UTI. A unidade instaurou investigação interna, demitiu os três profissionais e comunicou as autoridades. Celulares e computadores foram apreendidos.
A polícia afirma que irá aprofundar a análise de prontuários e dados hospitalares para verificar se a conduta foi repetida em outros períodos e locais. “Vamos cruzar informações para saber há quanto tempo isso pode ter acontecido e se há outras v!t!mas”, disse o delegado.
Em nota, o Hospital Anchieta informou que, ao perceber a situação atípica, abriu investigação por iniciativa própria e, em menos de 20 dias, reuniu evidências e acionou a polícia. A instituição disse ainda que entrou em contato com as famílias e prestou esclarecimentos.
O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal afirmou que acompanha o caso e instaurou procedimento para apurar a conduta ética dos profissionais, o que pode resultar em processo ético-disciplinar e punições.
As defesas dos técnicos de enfermagem não foram localizadas até a publicação desta reportagem.

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