Síndico teria usado dinheiro do condomínio para pagar advogado
Análise bancária revela que Cléber Rosa teria desviado verbas da associação via PIX

A conclusão do inquérito sobre a morte da corretora Daiane Alves, apresentada pela Polícia Civil nesta sexta-feira (20), revelou novos detalhes sobre a conduta de Cléber Rosa de Oliveira. Além de confessar o assassinato, o ex-síndico agora é alvo de investigação por peculato e desvio de verba. A polícia identificou uma transferência bancária feita pelo suspeito que coincide exatamente com o valor do contrato de seus advogados, datado de um mês após o crime.
A Prova do Desvio Financeiro
De acordo com o delegado André Luiz, a quebra do sigilo bancário e a análise do celular do suspeito mostraram que, no dia 18 de janeiro, o filho de Cléber recebeu um PIX do condomínio. O valor era idêntico ao estipulado no contrato de honorários advocatícios enviado ao síndico no dia anterior. "Há uma correspondência direta de valores que aponta o uso indevido de verba administrada por ele", explicou o delegado.
Motivação: Ganância e Sabotagem
O relatório final esclarece o que levou ao crime brutal. Cléber via o sucesso de Daiane na locação de imóveis de temporada como uma ameaça aos seus próprios interesses financeiros no prédio. Antes de matá-la, o síndico iniciou uma campanha de terror psicológico e sabotagem, cortando propositalmente a água, o gás e a energia dos apartamentos que Daiane administrava para prejudicar o trabalho da corretora.
43 Minutos de Horror
A reconstituição do crime, apoiada por câmeras de segurança e pelo vídeo recuperado do celular da vítima, mostra que o síndico agiu com frieza extrema. Daiane foi atraída ao subsolo para verificar o quadro de energia — sabotado por Cléber — e lá foi atacada. Todo o processo, desde a abordagem até a ocultação do corpo em uma mata a 15 km do local, durou apenas 43 minutos.
O Vídeo da Vítima
O ponto mais impactante do inquérito é o registro deixado por Daiane. Ela começou a filmar a falta de luz no corredor no momento exato em que foi surpreendida pelo agressor. Essa prova, somada à dinâmica da caminhonete do suspeito (que saiu com a capota fechada e voltou aberta), sepulta as chances de defesa contra a materialidade do homicídio qualificado.

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