A Polícia Civil de Goiás apura indícios de que o síndico Kleber Oliveira tenha premeditado o crime que resultou na morte da corretora Dayane no subsolo de um condomínio em Caldas Novas, no sul do Estado. Embora ele negue planejamento e sustente que o episódio ocorreu “no calor da discussão”, investigadores apontam evidências que contradizem essa versão.
Após confessar crime, o síndico levou os policiais onde desovou o corpo de Dayane, a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, às margens da GO-213, rodovia que liga o município a Ipameri.
Segundo a apuração, a energia do apartamento da vítima teria sido interrompida de forma proposital para levá-la ao subsolo, onde ocorreu a briga e o homicídio. Um dia antes do fato, em 16 de dezembro, a eletricidade já havia sido desligada, episódio que levou Dayane a registrar um boletim de ocorrência. No dia seguinte, 17, a interrupção se repetiu — circunstância registrada por câmeras do condomínio.
Para a polícia, o padrão reforça a hipótese de intenção de matar.
“Há elementos que indicam a tentativa de atrair a vítima ao local”, afirmou um investigador.
O corpo de Dayane foi abandonado pelo síndico a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, às margens da GO-213, rodovia que liga o município a Ipameri. Equipes da Polícia Científica, do Instituto Médico Legal (IML), da Polícia Civil e da Polícia Militar atuaram na região para o recolhimento dos restos mortais, encontrados em estado de ossada. O local é de difícil acesso, com barranco e mata fechada, o que motivou o apoio do Corpo de Bombeiros.
Em depoimento, Kleber afirmou ter agido sozinho e disse que discutiu com a corretora no subsolo quando ela desceu para religar o padrão de energia. Ele não detalhou, até o momento, o instrumento utilizado e informou que só prestará novos esclarecimentos na presença de advogado.
Imagens e relatos reunidos pela investigação indicam que o síndico saiu sozinho com uma caminhonete levando o corpo na carroceria e retornou cerca de uma hora depois ao condomínio sem a vítima; a capota do veículo já estaria aberta. As roupas usadas por Dayane também foram localizadas no ponto onde os restos foram encontrados.
A polícia cumpriu mandados de prisão contra Kleber e contra seu filho, Michael Douglas, que acompanhava o pai na rodovia no momento da ação policial. Segundo os investigadores, não há, até agora, prova de participação direta do filho no momento do crime, mas apura-se se houve acobertamento ou auxílio posterior.
O porteiro do condomínio também foi levado à delegacia para prestar esclarecimentos. Em depoimento inicial, ele teria mentido ao afirmar que chegou atrasado para a troca de turno na noite de 17 de dezembro. A polícia diz ter comprovado que ele entrou no horário habitual. Dependendo do avanço das investigações, ele poderá responder no inquérito.
A defesa do síndico afirma que o crime não foi premeditado e que o acusado colaborará com as autoridades.
O caso segue sob investigação.