Quadrilha desviava dinheiro do combate à pandemia para comprar carrões de luxo
Polícia Civil apurou que grupo investigado de desvio de verba pública de contratos à Saúde compravam carros avaliados em quase R$1 milhão

Para conseguir recuperar valores milionários desviados em contratos da Organização Social Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar (IBGH) com hospitais públicos, policiais civis, incumbidos de deflagrarem a Operação Parasitas nesta quinta-feira (16), apreenderam 16 veículos em endereços ligados aos investigados.
Dentre os carros apreendidos, estão desde Mini Coopers, Range Rovers e até Porsche 911.
A Operação Parasitas envolveu 123 policiais para cumprir 23 mandados de busca e apreensão e desbaratar um grupo criminoso que teria desviado cifras milionárias que deveriam ser destinadas para o tratamento de covid-19 em hospitais goianos. Ainda na investigação, os policiais desconfiaram de endereços de empresas de fachadas. Em uma delas, por exemplo, que deveria fornecer produtores hospitalares, tinha, na verdade, uma marcenaria.
O delegado responsável pela investigação, Francisco Lipari, disse ao G5 News que outras 30 empresas - e proprietários que seriam laranjas - estão sendo investigadas. "A gente apreendeu diversos documentos que vão nos auxiliar em uma nova fase da operação", disse Lipari.
Ainda segundo o delegado, ao menos sete laranjas foram identificados. O policial citou apenas que um rapper era usado no esquema. "Não daremos nomes por causa da lei de abuso de autoridade", justificou ele, após responder a perguntas de repórteres em uma coletiva concedida com mais de uma hora de atraso. "A gente ainda estava em operação", disse o delegado.
A Justiça permitiu, por exemplo, o bloqueio de R$ 6 milhões dos investigados ligados à Organização Social Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar (IBGH). "Esse valor corresponde a todos os contratos que investigamos. Posteriormente a Justiça vai avaliar qual o montante foi, de fato, desviado", disse. O órgão conseguiu, por meio de contrato de prestação de serviço no Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (HMAP), dos Hospitais Estaduais de Pirenópolis (HEELJ), Jaraguá (HEJA) e de Urgências da Região Sudoeste, em Santa Helena de Goiás (HURSO).
Segundo a Polícia Civil, em manobra de direcionamento de contratos, empresas de fachada registradas em nomes de laranjas foram contratadas em regime de urgência para o fornecimento de materiais hospitalares, todavia, após o pagamento das despesas, foi detectado que parte do dinheiro teria retornado a pessoas intimamente ligadas ao IBGH. Há suspeitas de lavagem de dinheiro.
As investigações ainda revelaram indícios de emissão de notas fiscais falsas pelas empresas de fachada para justificar o recebimento de recursos públicos, assim como que em alguns casos os materiais contratados não teriam sido entregues, ou foram entregues em menores quantidades ou com qualidade reduzida. As irregularidades teriam ocorrido em Contratos de Gestão relacionados à administração do bem como de centros médicos voltados a tratamento de pacientes de COVID-19 localizados no Estado do Amapá.













