Presidente da Câmara e advogados presos por ligação com Danilo Proto e fraudes em licitações; fotos e vídeo
Idelson Mendes é preso em operação do MP que apura esquema de fraudes em licitações, contratos irregulares e uso de empresas ligadas a delegado já investigado para desviar dinheiro público

Uma operação do Ministério Público de Goiás escancarou, na manhã desta quinta-feira (5), o que investigadores apontam como um esquema articulado para desviar dinheiro público na Câmara Municipal de Rio Verde, no sudoeste goiano. Entre os alvos está o presidente da Casa, o vereador Idelson Mendes, preso preventivamente junto com outros três investigados.
A ação, batizada de Operação Regra Três – Quarta Fase: Contrapartida, é conduzida pelo Gaeco Sul (grupo do MP especializado no combate ao crime organizado) e cumpre quatro mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão. Agentes do Ministério Público e da polícia chegaram logo cedo à Câmara e também à casa do presidente do Legislativo, onde imagens mostram o momento da prisão.
Além de Idelson Mendes, foram presos dois advogados que, segundo o MP, atuavam ao mesmo tempo para a Câmara de Vereadores e para o Instituto Delta Proto, ligado ao delegado Danilo Proto, que já está preso desde fases anteriores da investigação. Um novo mandado de prisão preventiva contra Danilo também foi decretado neste processo.
Concurso cancelado e suspeitas antigas
O nome do presidente da Câmara já aparecia no radar das autoridades desde 2023, quando a Casa contratou, sem licitação, o Instituto Delta Proto para realizar um concurso público. O problema, segundo o MP, é que a empresa não tinha experiência para esse tipo de serviço. Após denúncias, o Tribunal de Contas dos Municípios e a Justiça anularam o contrato e o concurso acabou cancelado.
Na época, candidatos que haviam pago taxa de inscrição precisaram recorrer ao Judiciário para reaver o dinheiro. Para o Ministério Público, a contratação teria sido usada como meio de obtenção de vantagem indevida, a partir da arrecadação dessas taxas.
Relação continuou e esquema teria se ampliado
As investigações indicam que, mesmo após o escândalo do concurso, a relação entre o presidente da Câmara e o grupo ligado ao delegado Danilo Proto não teria terminado. Em 2024, segundo o MP, empresas vinculadas ao delegado passaram a disputar outras licitações da Câmara, como serviços de limpeza da fachada, calçadas e até internet.
De acordo com os investigadores, o esquema incluía a simulação de concorrência, com uso de CNPJs “emprestados” para completar o número mínimo de empresas exigido em processos licitatórios. Quando surgia um concorrente de fora do grupo, eram feitas manobras de última hora, como erratas e propostas com valores mais baixos, para garantir a vitória.
Os dois advogados presos teriam papel central nesse arranjo, facilitando reuniões, orientando procedimentos administrativos e, ao mesmo tempo, representando interesses da Câmara e da empresa beneficiada — situação que o MP aponta como conflito de interesses.
Câmara fechada e servidores impedidos de entrar
Durante a manhã, o prédio da Câmara Municipal de Rio Verde ficou praticamente isolado. Viaturas do Gaeco e da Polícia Militar bloquearam a entrada, e nem mesmo servidores conseguiram acessar o local. Mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em salas administrativas, com recolhimento de documentos, computadores e outros equipamentos.
Segundo o Ministério Público, as prisões preventivas foram decretadas para garantir a ordem pública, evitar interferência nas investigações e interromper a atuação do grupo, que seria organizado e reincidente.
A operação também alcança outros municípios goianos, como Santa Helena de Goiás e Iporá, onde há indícios de ramificações do mesmo esquema.
Até o momento, a Câmara Municipal de Rio Verde e os investigados não se manifestaram oficialmente. O espaço segue aberto.

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