Polícia investiga se técnico de enfermagem de Goiás é psicopata e matava por prazer
Investigadores apuram se Marcos Vinícius pode ter feito mais v1t1m4s além das três m0rt3s já confessadas, todas com agravamento súbito do quadro clínico na UTI

A Polícia Civil apura a possibilidade de que o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, investigado por aplicar substâncias irregulares em pacientes internados em uma UTI no Distrito Federal, tenha feito outras vítimas além das já reconhecidas no inquérito principal. A principal linha de investigação aponta que o suspeito agia por prazer, com comportamento compatível com traços de psicopatia, segundo delegados envolvidos no caso.
A polícia ainda espera o resultado dos laudos e exames para confirmar 100% o diagnóstico. Esses resultados devem sair em até 20 dias.
Marcos Vinícius confessou até agora três mortes ocorridas no Hospital Anchieta, em Taguatinga. A polícia, porém, afirma que famílias de outros pacientes procuraram as autoridades nos últimos dias para relatar situações semelhantes, envolvendo agravamento súbito do quadro clínico e presença do técnico no momento das paradas cardiorrespiratórias.
Uma das novas denúncias envolve uma idosa de 80 anos que morreu em setembro do ano passado no mesmo hospital. A advogada da família foi ouvida informalmente pela Delegacia de Homicídios e informou que a filha da paciente reconheceu Marcos Vinícius como o profissional que estava no quarto quando a mãe sofreu a parada. A idosa havia dado entrada na unidade com tontura e não apresentava histórico de problemas cardíacos.
Outro caso sob análise é o de um idoso de 89 anos, que morreu em agosto, também no Hospital Anchieta. Familiares relataram à polícia desconfianças semelhantes. Um dos delegados confirmou que ambos os episódios devem integrar um segundo inquérito, voltado a apurar se há um padrão de atuação do técnico.
Imagens de câmeras de segurança foram consideradas decisivas para o avanço das investigações. Os registros mostram Marcos Vinícius utilizando um computador do hospital e, segundo a polícia, acessando o sistema com senhas de médicos para retirar medicamentos de forma irregular. Em outras gravações, ele aparece nos leitos da UTI aplicando medicações em pacientes nos meses de novembro e dezembro do ano passado.
De acordo com a investigação, o técnico não agia sozinho. As colegas Marcela Camile Alves da Silva, 22, e Amanda Rodrigues de Souza, 28, também técnicas de enfermagem, são apontadas como possíveis colaboradoras. As três profissionais foram demitidas.
Entre as mortes já confessadas está a de Miranilde Pereira da Silva, 75. Segundo a polícia, a paciente sofreu seis paradas cardíacas após receber quatro aplicações de medicamentos e cerca de dez seringas de desinfetante diretamente na veia. Miranilde havia sido internada com constipação intestinal e, segundo a família, deveria receber medicação simples e retornar para casa.
No dia da morte, a filha da idosa havia registrado reclamação na ouvidoria do hospital ao notar que o braço da mãe estava roxo.
“Foi um acesso mal feito anteriormente e nós reclamávamos várias vezes. Meu irmão já tinha feito uma ouvidoria antes, porque nós desconfiávamos de alguns procedimentos”, afirmou.
Dois médicos intensivistas da UTI prestaram depoimento sobre o uso de senhas no sistema interno. A polícia investiga se havia compartilhamento indevido de acessos e se houve negligência por parte de profissionais da equipe médica.
A confirmação definitiva das causas das mortes depende de laudos e exames complementares, com prazo estimado de até 20 dias para conclusão. Segundo a polícia, não será necessária a exumação dos corpos, já que a substância utilizada pode ser identificada por meio da análise de prontuários médicos e exames de sangue.
Procurada, a defesa dos técnicos de enfermagem não foi localizada. O Hospital Anchieta informou, em nota, que abriu investigação interna assim que percebeu a ocorrência atípica das mortes na UTI. Em menos de 20 dias, segundo a instituição, foram identificadas evidências envolvendo os três profissionais, e as autoridades foram imediatamente comunicadas. O hospital afirmou ainda que prestou esclarecimentos às famílias e colaborou integralmente com a apuração.
O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal disse acompanhar o caso e informou que instaurou procedimento para apurar eventual infração ética. Após a análise, poderá ser aberto processo ético-profissional, com aplicação de sanções aos envolvidos.

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