Polícia desmonta esquema de PMs envolvidos em corrupção, agiotagem e extorsão; 5 são afastados
Operação é resultado de uma investigação iniciada a partir de informações internas da própria PMGO, que indicaram o envolvimento de agentes públicos em práticas criminosas

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) e a Polícia Militar de Goiás (PMGO) deflagraram, nesta terça-feira (4), a Operação Scutum, que mira um grupo suspeito de reunir policiais militares e civis em um esquema de corrupção, facilitação de contrabando, descaminho, lavagem de dinheiro, agiotagem e extorsão. A ação cumpre 17 mandados de busca e apreensão em Mineiros (GO) e Londrina (PR), além de determinar o afastamento cautelar de cinco policiais envolvidos nas apurações.
Segundo a FICCO, a operação é resultado de uma investigação iniciada a partir de informações internas da própria PMGO, que indicaram o envolvimento de agentes públicos em práticas criminosas. Os dados preliminares apontam que o grupo vinha atuando de forma estruturada, com divisão de tarefas e uso de empresas de fachada para movimentar grandes somas de dinheiro de origem ilícita.
Fontes investigativas relatam que empresas registradas em nome de terceiros — os chamados “laranjas” — foram utilizadas pelo grupo para ocultar e reinvestir valores obtidos com as atividades ilegais. As ordens judiciais expedidas pela Justiça Federal miram também essas empresas, que teriam sido usadas para lavar recursos e simular operações comerciais.
Os investigadores detectaram movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos policiais suspeitos, além de transferências bancárias entre os membros da suposta organização criminosa. Esses repasses, segundo a FICCO, reforçam a hipótese de um esquema contínuo de agiotagem e lavagem de dinheiro, com a participação direta de agentes públicos.
O levantamento revelou ainda indícios de cooptação e desvio de cargas ilegais, bem como a revenda de produtos contrabandeados, o que amplia o possível alcance da organização. Segundo relatórios parciais, o grupo teria agido em conluio com empresários locais e atravessadores, utilizando suas funções na corporação para facilitar o transporte e a proteção de mercadorias ilícitas.
A FICCO/GO é composta pela Polícia Federal (PF), Polícia Penal Federal (SENAPPEN), Polícia Penal do Distrito Federal (PPDF), Polícia Militar de Goiás (PMGO) e Polícia Civil de Goiás (PCGO). Em nota, a força-tarefa afirmou que as investigações seguem sob sigilo e que novas medidas judiciais podem ser adotadas nas próximas fases da operação.
Os nomes dos envolvidos não foram divulgados oficialmente. A Polícia Militar de Goiás informou que colabora com as investigações e reforçou que “não compactua com desvios de conduta praticados por seus integrantes”. Já a Justiça Federal deve decidir, nos próximos dias, se os cinco policiais afastados permanecerão suspensos das funções até a conclusão do inquérito.
— Essa ação demonstra a importância da integração entre os órgãos de segurança pública, inclusive quando há suspeitas envolvendo servidores — afirmou, em nota, a coordenação da FICCO.
A operação recebeu o nome “Scutum” — termo latino que significa escudo — em referência simbólica ao papel de proteção do Estado e à necessidade de resgatar a credibilidade das instituições diante de práticas criminosas internas.

Irmãos de 9 e 4 anos são encontrados em situação de abandono em Goiás; veja vídeo
A mãe informou aos agentes que trabalha durante o dia e, por esse motivo, as crianças ficariam sozinhas em casa.
Esposa revela que homem morto a tiros na frente da filha devia agiota; assista
Esiel Cavalcanti, de 38 anos, estava acompanhado da filha pequena quando foi baleado; esposa acredita que dívida pode estar por trás do crime










