Polícia conclui inquérito e indicia servidores por suspeita de "rachadinha" em Câmara Municipal
Depoimentos e transferências via Pix foram usados para comprovar a devolução de parte dos salários de assessores

A Delegacia de Polícia Civil de Quirinópolis concluiu o inquérito que apurava a suposta prática de corrupção passiva dentro da Câmara Municipal, envolvendo a gestão anterior do Legislativo. O caso teve início a partir de uma sindicância instaurada pela Procuradoria do Município para investigar um esquema conhecido como "rachadinha" — a devolução de parte dos salários de assessores para agentes públicos.
O relatório final da Polícia Civil concluiu que há indícios suficientes da prática de corrupção passiva, tipificada no Artigo 317 do Código Penal.
Repasses Comprovados por Pix
Segundo a investigação, o inquérito foi fundamentado em uma série de provas, incluindo depoimentos de diversas testemunhas e servidores da Câmara, além de transferências bancárias via Pix e documentos apresentados.
Assessores parlamentares, ouvidos pela Polícia Civil, relataram que havia repasses mensais de valores de uma servidora comissionada para outra, supostamente a mando de integrantes do Poder Legislativo.
O relatório policial aponta que o ato de nomear servidores comissionados e, em seguida, exigir a devolução de parte dos vencimentos, configura solicitação de vantagem ilícita, caracterizando corrupção passiva. O documento também sugere desvio de finalidade funcional, pois alguns assessores estariam exercendo atividades particulares durante o expediente público.
Negativas dos Investigados
Apesar das provas, os investigados negaram as acusações e apresentaram versões alternativas:
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Uma das envolvidas alegou que os valores recebidos eram referentes à venda de roupas de sua loja virtual, e não tinham relação com devolução de salários.
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Outra pessoa citada confirmou que mantinha uma relação de trabalho informal em uma empresa privada, mas afirmou que isso não interferia em suas atividades públicas.
Com base nos elementos colhidos, a Polícia Civil indiciou dois representantes do Poder Legislativo Municipal e uma assessora parlamentar por corrupção passiva. O relatório final foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para as providências cabíveis e o possível início de uma ação penal.

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