PF prende pastor Márcio Poncio por envolvimento com a "Máfia dos Cigarros"
Segundo a Polícia Federal, esta fase da operação tem como objetivo aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pela nova cúpula do jogo do bicho

A Polícia Federal (PF) prendeu o pastor Marcio Poncio no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (2), durante a deflagração da 5ª fase da Operação Unha e Carne. De acordo com as autoridades, o investigado foi surpreendido pelos agentes em um flat localizado na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital fluminense.
Marcio Poncio, que é pai da deputada estadual Sara Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, administra uma igreja e também é proprietário de uma fábrica de cigarros. Conforme apontam as investigações, o pastor é suspeito de integrar uma lista de beneficiários de repasses financeiros feitos pelo bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o "Adilsinho", apontado como o chefe da Máfia dos Cigarros na região.
O esquema e os alvos políticos
Segundo a Polícia Federal, esta fase da operação tem como objetivo aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pela nova cúpula do jogo do bicho. A investigação também mira possíveis ramificações e conexões do esquema criminoso com integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro.
Entre os alvos principais da ação estão o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, e o próprio bicheiro Adilsinho. Ambos já se encontravam presos pelo sistema penitenciário. Bacellar, que cumpre custódia na Cadeia Pública de Bangu 8, será transferido para um presídio federal devido aos novos desdobramentos.
Além das prisões, a PF cumpre mandados de busca e apreensão. Um dos endereços vistoriados pertence a Marco Antônio Cabral, ex-deputado federal e filho do ex-governador Sérgio Cabral. As apurações revelaram que ele também teria recebido pagamentos ilícitos distribuídos por Adilsinho a lideranças políticas do estado.
Ordens judiciais e bloqueio de bens
Ao todo, os agentes da Polícia Federal foram às ruas para cumprir três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão. Todas as ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cumpridas em diferentes pontos das cidades do Rio de Janeiro e de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
Além das restrições de liberdade e das buscas por provas, o STF determinou o sequestro de bens e o bloqueio de valores dos investigados no montante de até R$ 22 milhões, visando garantir o ressarcimento dos cofres públicos e desarticular financeiramente a organização criminosa.













