PF investiga R$ 1,4 milhão em desvios de dinheiro público; ex-diretor da prefeitura de Goiânia é alvo
Itallo Moreira de Almeida, ex-diretor administrativo da Secretaria Municipal de Educação de Goiânia, investigado por fraudes em contratos e prestação de contas

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta sexta-feira (31), a oitava fase da Operação Overclean, em uma ação conjunta com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal. O objetivo é desarticular uma complexa organização criminosa suspeita de fraudar licitações, desviar recursos públicos e praticar crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, com um esquema que já identificou contratos suspeitos que somam cerca de R$ 1,4 bilhão.
Entre os principais alvos está Itallo Moreira de Almeida, ex-diretor administrativo da Secretaria Municipal de Educação de Goiânia, investigado por fraudes em contratos e prestação de contas. Ele é o principal alvo da operação na capital goiana, sendo peça-chave na apuração de irregularidades que teriam afetado a gestão de recursos na área da educação municipal.
As equipes cumpriram cinco mandados de busca e apreensão e determinaram o sequestro de valores ilícitos em endereços localizados em Brasília (DF), São Paulo (SP), Palmas (TO) e Gurupi (TO). As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), indicando o envolvimento de pessoas com foro privilegiado ou a complexidade e abrangência nacional do esquema investigado.
Os alvos desta fase podem responder por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
A Operação Overclean teve início em dezembro de 2024, com o propósito de apurar um vasto esquema de corrupção que envolvia o repasse de recursos públicos a municípios, muitas vezes por meio de emendas parlamentares. Desde as primeiras fases, a Polícia Federal tem desvendado um modus operandi sofisticado, que inclui a identificação de contratos superfaturados, licitações direcionadas para empresas específicas e o uso sistemático de empresas de fachada para dissimular os desvios.
Fases anteriores da operação já haviam revelado a existência de planilhas detalhadas, contendo mais de 100 nomes e codinomes de indivíduos supostamente ligados ao esquema. Entre os investigados que já vieram à tona, destacam-se empresários e políticos baianos, incluindo José Marcos de Moura, conhecido como o “Rei do Lixo”, apontado pelas investigações como um dos principais articuladores políticos do grupo criminoso.
Esta oitava fase da Overclean concentra-se em irregularidades detectadas no estado do Tocantins, onde as apurações indicam a ocorrência de desvios sistemáticos de recursos federais. O esquema no estado teria se valido de superfaturamento em contratos e da utilização de empresas de fachada para escoar o dinheiro público. A investigação também aponta para o envolvimento de emendas parlamentares como um dos mecanismos para direcionar os recursos para as empresas ligadas à organização.
Entre os nomes de destaque que estão sob investigação nesta fase da operação, e que tiveram seus endereços alvo de buscas, estão:
- Éder Martins Fernandes, ex-secretário executivo de Educação do Tocantins, acusado de direcionar contratos e liberar irregularmente recursos públicos, facilitando o esquema de desvio.
- Claudinei Aparecido Quaresemin, ex-secretário extraordinário de Parcerias e Investimentos do Tocantins, suspeito de favorecer empresas ligadas ao grupo investigado em processos licitatórios, garantindo que os contratos fossem para os alvos da organização.
- Luiz Cláudio Freire de Souza França, advogado e atual secretário nacional do Podemos, apontado como um elo crucial entre interesses privados e o núcleo político da organização criminosa, atuando na articulação e facilitação dos desvios.
- Itallo Moreira de Almeida, ex-diretor administrativo da Secretaria Municipal de Educação de Goiânia, investigado por fraudes em contratos e prestação de contas. Ele é o principal alvo da operação na capital goiana, sendo peça-chave na apuração de irregularidades que teriam afetado a gestão de recursos na área da educação municipal.
A operação, que já identificou contratos suspeitos que somam a impressionante cifra de R$ 1,4 bilhão, atinge figuras políticas de projeção nacional, demonstrando a capilaridade e a gravidade do esquema de corrupção. As investigações continuam, e os envolvidos podem enfrentar sérias acusações, com as medidas sendo autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal para garantir a lisura e a abrangência da apuração.

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