PC estoura esquema em Goiânia que transformava remédios de luxo em "veneno"
Operação da PCDF revela que chefe da quadrilha operava de Goiânia; medicamentos custavam R$ 40 mil

Remédios roubados eram "lavados" em Goiânia e vendidos sem refrigeração
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) revelou, nesta sexta-feira (17), que o comando central de uma organização criminosa bilionária de desvio de medicamentos estava instalado em Goiânia. A Operação Alto Custo desarticulou o esquema que movimentou R$ 22 milhões em apenas um ano, coordenado por um "cabeça" que operava diretamente da capital goiana.
O grupo era especializado em dar aparência de legalidade a remédios de alta complexidade que eram furtados ou roubados. Através de emissões de notas fiscais frias em Goiânia, o bando conseguia "esquentar" os produtos para que fossem revendidos em farmácias por todo o Brasil. No Entorno do DF, cidades como Valparaíso e Novo Gama também foram alvo de buscas.
A quadrilha focava em medicamentos de altíssimo valor, utilizados em tratamentos graves, como o Imbruvica (R$ 40 mil a unidade) e o Venclexta (R$ 37 mil). Recentemente, a polícia interceptou uma carga roubada no Rio de Janeiro avaliada em R$ 4 milhões. Só em uma das distribuidoras lesadas, o prejuízo passou de R$ 6 milhões.
O crime, porém, vai além do prejuízo financeiro. A investigação apurou que os medicamentos eram armazenados sem qualquer refrigeração adequada. Isso significa que pacientes com câncer ou doenças raras podiam estar tomando "placebos" sem efeito ou até substâncias tóxicas, já que o princípio ativo de remédios tão caros se perde sem o controle de temperatura.
A operação contou com o apoio das Polícias Civis de Goiás e do Rio de Janeiro, além da Anvisa e Receita Federal. Os presos responderão por organização criminosa, furto qualificado e adulteração de produto terapêutico.
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