Pai oferece dinheiro para “transar” com a própria filha e criar “nudes” com I.A
Homem foi localizado e detido no exato momento em que chegava para culto em igreja na Vila Jaiara

Um homem de 35 anos foi preso na noite de domingo (25) em Anápolis (GO), suspeito de importunar sexualmente a própria filha adolescente e de utilizar ferramentas de inteligência artificial para produzir imagens pornográficas da jovem. A prisão foi efetuada pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), no momento em que ele chegava para um culto em uma igreja evangélica no bairro Vila Jaiara.
Segundo a investigação, o homem, que até então mantinha pouca ou nenhuma proximidade com a filha, passou a procurá-la recentemente sob o argumento de “retomar o vínculo familiar” e “ser um pai presente”. Os primeiros contatos foram feitos por mensagens de texto, em tom aparentemente afetuoso e de reaproximação. Em pouco tempo, porém, o conteúdo da conversa mudou de forma brusca para propostas de teor sexual.
De acordo com a DPCA, o suspeito teria passado a enviar à adolescente mensagens com conotação explícita, sugerindo encontros íntimos e chegando a oferecer dinheiro para convencê-la a manter relações sexuais com ele. A polícia trata o caso como um grave episódio de violência sexual intrafamiliar, com utilização de recursos tecnológicos para ampliar o dano à vítima.
Uso de I.A para criar imagens pornográficas
As apurações apontam que o homem não se limitou às mensagens. Ele teria recorrido a ferramentas de inteligência artificial para gerar montagens pornográficas utilizando a imagem da própria filha. As fotos adulteradas foram então enviadas diretamente para a adolescente, numa tentativa de constrangê-la e normalizar o teor abusivo das conversas.
A polícia ressalta que esse tipo de conduta, além de configurar crime sexual contra menor, também se enquadra em delitos relacionados à produção e distribuição de material de conteúdo sexual envolvendo criança ou adolescente, ainda que gerado artificialmente. As imagens criadas via I.A, segundo a investigação, simulavam cenas explícitas, caracterizando forte violação da dignidade e da intimidade da vítima.
Apagava mensagens para tentar apagar rastros
Conforme relato da DPCA, o homem adotava uma postura calculada para tentar dificultar a responsabilização criminal. Ele apagava as mensagens logo após verificar que a filha havia visualizado o conteúdo, numa estratégia deliberada para não deixar registros na conversa.
Apesar disso, a adolescente percebeu rapidamente a gravidade da situação e agiu para preservar as provas. Utilizando a função de gravação de tela do próprio celular, ela registrou todo o fluxo de mensagens, incluindo as propostas de teor sexual e as imagens manipuladas por inteligência artificial, antes que o pai tivesse tempo de deletar o conteúdo.
Denúncia imediata à mãe e à polícia
Com as gravações em mãos, a jovem procurou a mãe e relatou o que vinha acontecendo. A responsável então compareceu à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente para formalizar a denúncia. Os registros de tela, segundo a polícia, foram fundamentais para embasar o inquérito e viabilizar a prisão do suspeito em flagrante pelos atos investigados.
A DPCA ressalta que a reação rápida da adolescente e o apoio imediato da mãe foram decisivos para interromper o ciclo de violência e permitir a atuação policial. O material coletado pela vítima deverá ser periciado e incorporado ao processo como prova central do comportamento do investigado.
Prisão em frente a igreja e ficha criminal extensa
Após a formalização da denúncia, equipes da Polícia Civil iniciaram as diligências para localizar o homem. Ele foi encontrado e detido no exato momento em que chegava a um culto em uma igreja evangélica na região da Vila Jaiara, em Anápolis.
De acordo com a corporação, o suspeito possui uma longa ficha criminal. Há registros de passagens anteriores por homicídio, roubo, tráfico de drogas e violência doméstica. A polícia não detalhou, neste primeiro momento, as circunstâncias de cada um desses casos, mas destacou o histórico de reincidência em crimes graves.
Depois de preso, o homem foi encaminhado à Unidade Prisional da cidade, onde permanece à disposição da Justiça. A autoridade policial deverá representar por medidas cautelares, inclusive a manutenção da prisão preventiva, diante da gravidade dos fatos e do risco de reiteração criminosa.
Investigação continua e pode incluir novos crimes
A DPCA informou que a investigação segue em curso, com foco em três frentes principais:
- análise detalhada das conversas e das gravações de tela feitas pela adolescente;
- perícia nas imagens supostamente criadas com uso de inteligência artificial, para confirmar a manipulação e sua origem;
- levantamento de eventual compartilhamento desse material com terceiros.
A polícia não descarta a possibilidade de o suspeito responder por outros delitos, a depender do que for comprovado durante a apuração, incluindo crimes ligados à produção e armazenamento de conteúdo sexual envolvendo adolescente, além de importunação sexual e possíveis outros enquadramentos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Proteção à vítima e alerta a famílias
Por envolver uma adolescente, a identidade da vítima é preservada pela lei. A reportagem apurou que a jovem está sob acompanhamento da família materna e deverá ser encaminhada para atendimento psicológico especializado, como é de praxe em situações de violência sexual contra menores.
A Polícia Civil reforça que familiares e responsáveis devem ficar atentos a mudanças bruscas de comportamento de crianças e adolescentes, especialmente em relação ao uso do celular e das redes sociais. Casos de assédio, chantagem, envio de conteúdo sexual ou uso indevido de imagens podem e devem ser denunciados às delegacias especializadas ou pelos canais de proteção à infância.
O nome do suspeito não foi divulgado oficialmente até a conclusão desta edição, em respeito à fase inicial do inquérito e para resguardar a identidade da vítima.

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