Pai manda matar o próprio filho e caso pode revelar "desaparecimento" da esposa há 20 anos; veja
Polícia Civil aponta que dívida de R$ 50 mil, ameaças e um antigo desaparecimento podem estar ligados. Pai, madrasta e cunhado dela foram presos por suspeita de participação no assassinato do chacareiro Táliton Henrique Dias Machado

A prisão de um homem suspeito de mandar matar o próprio filho revelou uma trama familiar marcada por violência, dinheiro e um mistério que pode ter começado há cerca de 20 anos. A Polícia Civil investiga se o assassinato do chacareiro Táliton Henrique Dias Machado, de janeiro deste ano, está diretamente ligado ao desaparecimento da própria mãe da vítima, que nunca mais foi vista desde 2006.
As investigações apontam que Ozanan Ananias Martins, de 59 anos, teria contratado o cunhado da atual esposa para executar o próprio filho. Além dele, também foram presos a esposa de Ozanan, Simone, e o irmão dela, Anderson da Silva, apontado como o suposto executor do crime.
O assassinato ocorreu em 23 de janeiro, em uma chácara na zona rural de Trindade, onde Táliton morava com a esposa e os filhos. Segundo relato da mulher à polícia, o chacareiro saiu de casa para buscar temperos na horta para preparar um frango caipira quando foram ouvidos disparos de arma de fogo.
Assustada, ela correu para proteger os filhos e, ao sair novamente, encontrou o marido caído e já sem vida no quintal da propriedade.
A partir da investigação do homicídio, a Polícia Civil descobriu que Táliton havia emprestado R$ 50 mil ao pai no ano passado. Conforme a apuração, Ozanan prometia quitar a dívida, mas nunca devolvia o dinheiro. Com as cobranças constantes feitas pelo filho, a relação entre os dois teria se deteriorado.
Segundo a polícia, Ozanan teria conversado com a esposa e decidido contratar Anderson, irmão dela, oferecendo R$ 15 mil para matar Táliton.
A investigação ganhou força após a prisão de Anderson. Um dos depoimentos considerados decisivos foi o de outro filho de Ozanan. Ele contou que o pai tentou convencê-lo a afirmar que Táliton tinha muitas inimizades e problemas na cidade, versão que ele considerou falsa.
O mesmo filho também estranhou o fato de Ozanan afirmar, antes mesmo da conclusão das investigações, que Anderson e Simone seriam os responsáveis pelo crime. As informações levantaram suspeitas e ajudaram a Polícia Civil a chegar ao pai da vítima.
Durante as diligências, os investigadores encontraram um detalhe que ampliou ainda mais o caso. Há aproximadamente 20 anos, a mãe de Táliton, Aparecida Almeida, desapareceu na zona rural de Pires do Rio.
Segundo relatos reunidos pela polícia, Ozanan saiu com Aparecida para uma área rural. Os filhos, entre eles Táliton, disseram ter ouvido gritos da mulher. Horas depois, o homem voltou sozinho e afirmou que ela havia sido picada por uma cobra e fugido assustada. Desde então, Aparecida nunca mais foi encontrada.
Conforme a investigação, durante as discussões sobre o empréstimo, Táliton teria confrontado o pai, afirmando que sabia que ele era o responsável pelo desaparecimento da mãe.
Agora, a Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o chacareiro tenha sido morto não apenas pela cobrança da dívida, mas também porque poderia revelar informações sobre o desaparecimento de Aparecida.
Os três suspeitos permanecem presos preventivamente enquanto a investigação continua. Além de esclarecer completamente o homicídio de Táliton, a Polícia Civil busca agora descobrir se o desaparecimento de Aparecida Almeida, ocorrido há cerca de duas décadas, foi, na verdade, um assassinato que permaneceu escondido por anos.

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