No meio da sacanagem, homem é preso com pó
Agente infiltrado flagrou a venda de cocaína e deu voz de prisão a um traficante, em operação que fechou “banca do trepa-trepa”

Em uma operação singular da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o até então fervilhante comércio informal na “banca do trepa-trepa”, localizada na feira permanente do Setor P Norte, foi desmantelado na última semana. Após uma denúncia veiculada pela coluna Na Mira, do Metrópoles, que destacava atividades ilícitas na região, a 19ª Delegacia de Polícia conduziu uma investigação aprofundada, culminando na prisão de um homem por venda de drogas.
A operação se baseou em um flagrante realizado por um policial infiltrado, que capturou imagens e comprovou a troca de objetos entre um suspeito e uma usuária de drogas, confirmando a transação de R$ 50 em cocaína. O flagrante resultou na imediata prisão do homem, que foi abordado enquanto tentava deixar o local.
Cenário Polêmico na Feira
O cenário na feira é um misto de apelo sensual e venda de bebidas alcoólicas a preços altos. Jovens mulheres, entre 18 e 25 anos, popularmente chamadas de “iscas”, trabalham em bancas vestindo trajes reveladores e utilizando linguagem provocativa para atrair clientes, principalmente homens. Elas são recompensadas com uma comissão de R$ 5 por cada garrafa vendida, visando metas diárias de ao menos 15 garrafas, o que pode render até R$ 800 semanais.
As bancas se assemelham a um “puteiro light”, segundo testemunhas, onde a música alta misturada com funk, sertanejo e pagode, além da atmosfera de insinuação sexual, são usados como estratégias de venda. Uma das bancas mais notórias, conhecida como “trepa-trepa”, extrapola a venda de bebidas, oferecendo também serviços de garotas de programa.
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“Iscas” seduzem clientes para gastar na “banca do trepa-trepa”
Exploração e Precárias Condições de Trabalho
Apesar das aparências, nem todas as jovens envolvidas se dedicam à prostituição. Muitas veem o trabalho como uma forma de complementar a renda, mesmo diante dos riscos de assédio e exposição. Entretanto, o ambiente de trabalho precarizado levanta preocupações sobre exploração e condições laborais insustentáveis. Enquanto as bancas de venda de bebidas e sedução lotam em tardes escaldantes, muitos boxes tradicionais na feira permanecem fechados, refletindo o impacto e a desigualdade gerada por essas operações.
O desfecho da operação da PCDF põe em evidência um complexo ecossistema comercial que une entretenimento, comercialização de bebidas e insinuações sexuais. Este episódio não só questiona limites legais e éticos, mas também instiga debates sobre a legalidade e as condições de trabalho das jovens em ambientes informais como o da feira de Ceilândia.

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