Motoristas de racha desistem de se apresentar na delegacia após morte de “amigo”
Os advogados de Eduardo Henrique e Arthur Yuri entraram em contato com a Dict, em Goiânia, “desmarcando” o depoimento dos clientes alegando que estão “muito abalados”

Os motoristas Eduardo Henrique, 22 anos, que conduzia a Toyota Hilux, e Arthur Yuri, 18 anos, que dirigia a BMW, envolvidos no “racha” durante a madrugada de sábado (07), no cruzamento entre a Rua C-155 com Avenida T-9, no Jardim América, em Goiânia, eram “aguardados” na Delegacia de Investigações de Crimes de Trânsito (Dict), nessa terça-feira (10), para apresentarem suas versões sobre os fatos, porém, teriam desistido após a confirmação da morte de Wictor Fonseca Rodrigues, 20 anos, segunda vítima fatal do acidente.
A adolescente Marcella Sonia Gomes do Amaral, 15 anos, foi a primeira vítima fatal do capotamento da Hilux. Ela, que seguia no banco de trás da caminhonete, supostamente sem o uso do cinto de segurança, foi arremessada para fora do veículo e o corpo encontrado a cerca de 20 metros de distância do ponto do acidente.
Os advogados teriam entrado em contado com a Dict e “negociado” para os dois rapazes prestarem depoimento nesta terça, mas, após o anúncio da morte de Wictor, os defensores teriam feito novo contato com os investigadores e comunicado que os clientes estariam muito abalados com a morte do “amigo” e “sem condições” de prestar declarações sobre o fato.
Não há informações se os advogados teriam marcado uma nova data para o depoimento.
Eduardo e Arthur estão “desaparecidos” desde à madrugada do acidente. O motorista da Hilux ficou ferido, chegou a dar entrada numa unidade de saúde, mas “fugiu” antes de finalizar seu atendimento. Já Arthur, segundo as imagens do dia do acidente, chegou a estacionar a BMW, após o capotamento da caminhonete, foi verificar o que tinha acontecido, mas também deixou o local e “sumiu”.
O fato de não terem sido encontrados em até 24 horas após o “acidente” impede a prisão em flagrante, principalmente, pelo fato de as circunstâncias apontarem que os dois estariam bêbados na direção, uma vez que já foi constatado que os sete envolvidos, incluindo as duas vítimas fatais, estavam numa boate do Setor Marista ingerindo bebidas alcoólicas até decidirem deixar o estabelecimento e disputarem o racha.
Os acusados podem responder por embriaguez ao volante com resultado de morte e lesões corporais, prática de racha, fuga de responsabilidade penal, civil e omissão de socorro.
Apesar de ter passado o período do flagrante, a Dict explica que, se necessário, pode requerer à Justiça prisão preventiva dos acusados. Caso não se apresentem logo e os investigadores entrem com o pedido no Judiciário, os rapazes passam a ser considerados “foragidos”.
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Primeira vítima
A adolescente Marcella Sonia Gomes do Amaral, 15 anos, foi a primeira vítima fatal do capotamento de uma Toyota Hilux. Ela, que seguia no banco de trás da caminhonete, supostamente sem o uso do cinto de segurança, foi arremessada para fora do veículo e o corpo encontrado a cerca de 20 metros de distância do ponto do acidente.
Inquérito policial foi instaurado para esclarecer as circunstâncias e causas do acidente e segue em investigação. Todos os envolvidos ainda serão ouvidos na Dict.
O capotamento
De acordo com as primeiras informações, Marcella e os demais envolvidos no grave acidente, todos jovens, inclusive alguns menores de idade, como a vítima, estavam numa boate do Setor Marista, onde consumiram bebidas alcoólicas da noite de sexta (06) à madrugada de sábado (07).
Ao deixarem o estabelecimento, o grupo se dividiu entre os veículos e começaram a “brincar de racha”, ou seja, colocar os veículos disputando qual atinge maior velocidade e permanece na frente do outro.
Em determinado momento, o condutor da caminhonete, identificado como Eduardo, perdeu o controle da direção, veículo saiu da pista capotou e só parou após bater contra a fachada de uma loja.
Os peritos analisaram as condições em que a vítima fatal foi encontrada, o veículo envolvido e o perímetro do acidente para coletar informações que determinem causas e circunstâncias do fato.
O corpo da adolescente foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passou por exame de necropsia antes de ser liberado para os procedimentos fúnebres junto à família. Investigadores da Dict acompanharam os trabalhos da perícia, ouviram testemunhas e coletaram informações preliminares para dar início à apuração dos fatos.

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