Motorista carbonizado dentro de caminhão incendiado era quem dirigia e furou bloqueios da PM
No caso não teria assaltante nem caminhoneiro refém, como informado inicialmente. Motorista ignorou ordem de parada, foi alvo de 39 disparos e morreu dentro do caminhão em chamas na BR-060

A morte do caminhoneiro Alan Faria Bezerra, de 32 anos, na BR-060, no sudoeste goiano, ganhou novos contornos e virou alvo de investigação da Polícia Civil após uma reviravolta na versão apresentada inicialmente pela Polícia Militar. O caso aconteceu na tarde de segunda-feira (11), entre Rio Verde e Santo Antônio da Barra, e terminou com o motorista carbonizado dentro do caminhão em chamas.
Nas primeiras horas após a ocorrência, a versão repassada pela PM apontava que Alan teria sido vítima de um assalto. Segundo o relato inicial, um criminoso estaria dirigindo o caminhão, mantendo o motorista refém dentro da cabine. Ainda de acordo com a narrativa apresentada no começo do caso, o suspeito teria furado bloqueios policiais, jogado o veículo contra viaturas e fugido para uma área de mata depois que o caminhão pegou fogo.
O caminhoneiro, amarrado dentro da cabine, teria morrido sem conseguir escapar. Mas, na terça-feira (12), a Polícia Civil desmontou essa versão e revelou que quem conduzia o caminhão durante toda a perseguição era o próprio Alan Faria Bezerra.
Segundo as investigações, o dono da empresa onde o caminhoneiro trabalhava acionou a polícia depois de perceber que o funcionário havia saído da rota prevista e deixado de atender ligações. O patrão desconfiou da situação porque o comportamento fugia completamente do padrão do motorista.
“O patrão dele, né, o proprietário do caminhão, proprietário da carga, percebeu que ele havia saído da rota e que não respondia mais às mensagens. Ele chegou a responder uma mensagem pro patrão dizendo que estava tudo bem, mas que não ia dar detalhes e cortou a comunicação. O patrão achou estranho porque fugia completamente ao padrão de comportamento dele”, afirmou o delegado Adelson Candeo.
Equipes da PM localizaram o caminhão no quilômetro 365 da BR-060. Conforme o boletim de ocorrência, os policiais deram ordem de parada, mas o motorista não obedeceu. Ainda segundo o registro, Alan teria jogado o caminhão contra uma viatura durante a fuga.
Mais à frente, equipes da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) montaram um bloqueio na rodovia. A PM afirma que o caminhoneiro fez manobras bruscas para tentar romper o cerco, colocando em risco policiais e outros motoristas que passavam pela estrada.
Diante da situação, os agentes dispararam contra os pneus do caminhão. Ao todo, quatro policiais efetuaram 39 tiros. Um segundo-tenente disparou 12 vezes com um fuzil. Um cabo deu nove tiros de carabina. Um terceiro-sargento fez dez disparos, também de carabina. Outro cabo atirou oito vezes com uma pistola.
Mesmo com um dos pneus estourados, o caminhão continuou trafegando por alguns quilômetros até começar a pegar fogo. O veículo só parou depois que as chamas já tinham tomado conta da cabine.
Os policiais disseram que tentaram retirar o motorista, mas encontraram as portas travadas. Durante a tentativa de resgate, houve uma explosão que arrancou um dos pneus do caminhão, obrigando a equipe a recuar. O corpo de Alan foi encontrado apenas depois que o incêndio foi controlado pelo Corpo de Bombeiros.
Agora, a Polícia Civil tenta esclarecer o que realmente aconteceu durante a perseguição. A investigação quer descobrir se o motorista estava sob efeito de alguma substância, por que não saiu da cabine antes das chamas se alastrarem e se os tiros efetuados pelos policiais podem ter provocado o incêndio.
“A gente tem no histórico que o veículo de grande porte avançou contra as viaturas, desobedeceu à ordem de parada... É muito cedo pra gente dizer se houve excesso ou se não houve excesso por parte dos policiais militares. O exame toxicológico vai ser muito importante pra gente entender essa mudança repentina no comportamento desse motorista”, declarou o delegado Adelson Candeo.
Os policiais envolvidos na ocorrência devem prestar depoimento nos próximos dias. A Polícia Militar informou que também apura a conduta dos agentes que participaram da ação.














