Médico grava funcionário negro acorrentado, "brinca de "escravo" e depois tenta justificar: "Encenação teatral"
O delegado, em Cidade de Goiás, informou que o caso é investigado como eventual constrangimento ou injúria racial, além do crime de racismo. O MPGO e a Defensoria Pública acompanham as investigações.

O médico Márcio Antônio Souza Júnior, conhecido como Doutor Marcim, na zona rural da Cidade de Goiás (142 km da Capital), foi hostilizado nas redes sociais após publicar vídeo em que mostra um homem negro acorrentado pelos pés, mãos e pescoço, e ironizar escravidão: "Falei para ele estudar, ele não quer. Então vai ficar na minha senzala", diz o médico.
A gravação, publicada nessa quarta-feira (16), foi rapidamente apagada do Instagram.
Internautas salvaram o vídeo e denunciaram o caso à Polícia Civil. O delegado Gustavo Barreto, responsável pela investigação, informou que o homem, de 37 anos, nome não divulgado, prestou depoimento e disse que tudo não passou de uma "brincadeira", além de optar por não representar criminalmente contra o médico.
Ainda no depoimento, o homem explicou que é funcionário de Márcio Antônio há três meses e que nunca houve situação de trabalho escravo no local. Disse ainda que foi ele mesmo que colocou as correntes e, em seguida, pediu ao profissional para filmar a "brincadeira".
Mesmo com a justificativa da vítima, o delegado informou que o caso é investigado como eventual constrangimento ou injúria racial, além do crime de racismo. O Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) e a Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE) também estão acompanhando as investigações.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o médico se justificou e disse que a gravação foi uma "encenação teatral". Ele explicou que os dois são amigos e fizeram o roteiro juntos.
"Foi como se fosse um filme, foi uma zoeira. Gostaria de deixar bem claro, ele é meu amigo e gostaria de pedir desculpas se alguém se sentiu ofendido", disse Márcio Antônio.
O homem também aparece no vídeo e diz que o médico é "como um pai", que o ajuda em tudo. Os dois finalizam dizendo que a gravação "não teve intenção nenhuma de magoar, irritar ou fazer apologia a nada".
A Prefeitura de Goiás disse, em nota, que a gravação "causa profunda repulsa" e pede que o caso seja devidamente investigado "para uma célere instrução e responsabilização nos termos da lei". A administração afirmou ainda que vai acompanhar as investigações e "tomará as medidas de sua competência".
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