Médico é acusado de empurrar bebê de volta para barriga durante parto; criança morre
Fato aconteceu no dia 12 de agosto no Hospital Municipal de Niquelândia, mas ocorrência registrada nessa quinta-feira (25), após a paciente relatar o caso pelas redes sociais

O ginecologista e obstetra Américo Lúcio Neto, identidade não divulgada, é acusado de durante um parto, no do Hospital Municipal de Niquelândia (307 km da Capital), empurrar os pés do bebê, que já estariam para fora, de volta para barriga da mãe, consequentemente, comprimindo o cordão umbilical e prejudicando a oxigenação do recém-nascido, para que a mulher pudesse ser transferida para a unidade de saúde em Uruaçu (87 km de Niquelândia), já que precisaria de vaga numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A denúncia foi, inicialmente, feita pela mulher nas redes sociais.
De acordo com a ocorrência, no último dia 12, a grávida participava da Romaria do Muquém e começou a passar mal. Ela foi atendida por uma equipe do distrito. Os médicos sugeriram que ela fosse de ambulância até o hospital, mas a mulher preferiu ir em carro próprio, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
Ela entrou em trabalho de parto e foi para o hospital municipal, onde foi atendida imediatamente pelo médico acusado.
A paciente contou, na publicação pelas redes sociais, que as pernas do bebê já estavam aparecendo e o médio as empurrou novamente. Com isso, teria comprimido o cordão umbilical e dificultado a oxigenação da criança.
A transferência para Uruaçu foi realizada, ela chegou a ser atendida e “ganhou” o bebê no hospital da cidade. A criança chegou a ficar internada, mas morreu horas depois.
O caso foi registrado na Polícia Civil nesta quinta-feira (25) e segue em investigação.
A Secretaria Municipal de Saúde disse que soube do caso pelas redes sociais. O médico foi afastado até que a situação seja investigada.
“Durante o atendimento o médico constatou que a mãe precisaria de uma UTI e ela foi encaminhada para o hospital de Uruaçu. Esse médico acompanhou a mãe, mas, infelizmente, o bebê não resistiu. Diante da denúncia nas redes sócias, visando apurar melhor os fatos, o médico foi afastado das suas atividades até que haja a devida apuração sobre eventual culpa ou mal procedimento no exercício da função”, disse o advogado da secretaria, Diêgo Vilela.
O advogado disse que, depois da repercussão outras pessoas fizeram denúncias informais contra o médico sobre problemas em atendimentos feitos por ele.
Américo Lúcio Neto não é servidor público, mas tem contrato com a prefeitura desde 2016 para fazer atendimentos como ginecologista e obstetra. A defesa do obstetra disse que ainda não teve acesso à documentação do procedimento para que ele possa se defender.
"A priori, o que ele nos passou é que ela chegou ao hospital e, por falta de outros profissionais, ela foi transferida para outro hospital. Ele inclusive a acompanhou na ambulância junto com uma enfermeira. Foi outra equipe que fez o parto", disse o advogado Luiz Gustavo Barreira Muglia.

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