Marido da mulher que matou filhas a facadas pode responder por crime sexual
Segundo a PC, durante depoimentos colhidos na investigação da morte das filhas do casal, em Edéia, apareceram indícios de que Izadora Alves era pressionada a manter relações sexuais

Marido, nome não divulgado, de Izadora Alves de Faria, 30 anos, mulher que confessou ter matado as duas filhas, Maria Alice Alves de Souza Barbosa, 6 anos, e Lavínia Souza Barbosa, 10 anos, a facadas, em Edéia, no sul de Goiás, pode ser investigado por “crime sexual” contra a esposa, segundo o delegado responsável, Daniel Moura.
De acordo com o investigador, durante a coleta de depoimentos em relação ao homicídio das crianças foi verificado indícios que apontam que Izadora estaria sofrendo abusos sexuais do marido, sendo pressionada psicologicamente a manter relações com ele.
No entanto, ainda segundo Daniel, esses indícios ainda estão em apuração e nem um inquérito foi aberto em relação a esse fato, que deverá ser investigado separadamente do caso do duplo homicídio das filhas do casal, já que um fato não teria relação com o outro.
“Foram extraídas cópias das declarações prestadas no outro inquérito policial. Há indícios de que ela [Izadora] se sentia pressionada psicologicamente a se relacionar com o marido. Vai ser averiguado em que se consistia essa pressão, se houve crime contra a dignidade sexual e, em caso positivo, qual crime”, explicou o delegado.
Daniel acrescentou que durante os depoimentos também tiveram relatos de agressões físicas mútuas entre o casal.
Caso segue em investigação.
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Morte das filhas
Izadora Alves de Faria, de 30 anos, foi indiciada pela Polícia Civil no último dia 6 de outubro. Ela chegou a confessar o crime e contou em depoimento que ela pediu ajuda para fazer tratamento psiquiátrico antes das mortes, mas não fez.
"A mãe disse que o casal tinha muitas brigas, mas com as crianças a relação era tranquila, ela não era violenta com as meninas. Ela também já tinha pedido para ser internada, mas a família não internou", detalhou o delegado.
A Defensoria Pública de Goiás (DPE-GO) informou que, a pedido da família, representa legalmente Izadora Alves de Faria, a fim de garantir o seu amplo direito à defesa, em virtude da sua hipervulnerabilidade. Na última semana, A DPE ingressou com pedido de transferência da mulher para hospital psiquiátrico, o que foi acolhido pelo juízo. Desde a terça-feira (4), a defensoria também atua em sua defesa no âmbito criminal.
Ela está internada no Hospital Psiquiátrico Wassily Chuc, em Goiânia. Izadora foi transferida do presídio de Israelândia, onde estava presa, após tentar se matar dentro da cela. A diretoria do presídio alegou no processo que o estabelecimento prisional não possui “estrutura física e humana para custodiar pessoas presas com o quadro de saúde/transtornos mentais", como o de Izadora Alves.
Com o indiciamento, Izadora Alves de Faria, de 30 anos, pode ser condenada a 100 anos de prisão. O delegado contou que ela pode pegar de 12 a 50 anos de pena por cada morte. A Polícia Civil apurou que a mulher envenenou, afogou e depois deu facadas nas filhas dentro de casa.
"Ela confessou o crime, o modo como ela matou as crianças. Segundo ela, de início, ela tentou dar veneno, mas como ela viu que não iria funcionar, ela levou as crianças para uma caixa d'água, que fica em frente à casa, e tentou eletrocutar as crianças com uma extensão ligada à rede elétrica. Como ela viu que não ia dar certo, ela desligou a extensão e foi lá na caixa d'água e afogou as crianças", disse.

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