Mãe interna a própria filha para impedir de participar de partilha de bens
Essa mãe foi presa e as investigações revelaram que a clínica funcionava sem alvará, utilizando-se de táticas violentas e ilegais para internar mulheres contra sua vontade

Polícia Civil de Goiás prendeu, na manhã desta quinta-feira (14), uma mulher acusada de ter ordenado a internação compulsória de sua própria filha com o objetivo de impedi-la de comparecer a uma audiência judicial para discutir a partilha de bens da família. A ação, nomeada Operação Anathema, foi executada pela Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deaem) e visava cumprir mandados de prisão preventiva, além de buscas e apreensões.
A delegada Gabriela Adas, responsável pela investigação, revelou que a mãe e a irmã da vítima participaram de um esquema criminoso que culminou na internação involuntária em uma clínica situada em Goiânia. A operação também visava seis mandados de prisão preventiva, dois de busca e apreensão, e a suspensão das atividades econômicas da clínica em questão.
Investigação começou após seu desaparecimento ser registrado pelo marido da vítima em 7 de maio. Em menos de 24 horas, ela foi localizada em uma unidade terapêutica destinada ao tratamento de dependência química, operando sem as devidas licenças. A polícia constatou que a mulher nunca foi dependente química, apontando o caráter forçado e injustificado de sua internação.
De acordo com a delegada Adas, a internação foi uma estratégia da mãe e da irmã para impedir a participação da vítima em uma audiência crucial sobre a partilha de bens familiares, marcada para o dia seguinte ao seu desaparecimento.
“A relação entre a vítima e as suspeitas já era descrita como conflituosa”, detalhou a delegada, indicando que essa tensão familiar motivou o crime.
Clínica Irregular e Maus Tratos
As investigações revelaram que a clínica funcionava sem alvará, utilizando-se de táticas violentas e ilegais para internar mulheres contra sua vontade. Dentre as 42 pacientes, cerca de metade estaria na mesma situação de internação compulsória. A operação resultou na prisão preventiva do proprietário da clínica, de sua gerente, e de membros da equipe de remoção, que frequentemente usavam contenção física e química para manter as mulheres internadas.
Durante a operação, 20 das 42 mulheres internadas relataram condições de encarceramento semelhantes à da vítima, destacando a gravidade e a sistematicidade dos crimes praticados por esta rede ilícita de internação forçada.
A flagrante violação dos direitos humanos levou as autoridades a suspender as atividades econômicas da clínica e a investigar o esquema criminoso que envolvia a captura e a retenção ilegal de mulheres.

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