Laudo aponta hipotermia e desidratação como causa da morte; pais devem ser indiciados
Os peritos também concluíram que lesões observadas no corpo após a morte foram provocadas pela ação de animais e insetos.

De acordo com os exames realizados, não foram encontradas lesões na região genital da vítima.
A Polícia Científica concluiu o laudo necroscópico sobre a morte da pequena Maria Fernanda Cândido Rocha, de apenas 2 anos, em Doverlândia, no sudoeste de Goiás. O documento descartou qualquer indício de violência física ou sexual contra a criança e apontou que a menina morreu em decorrência de hipotermia e desidratação após permanecer sozinha em uma área rural.
Segundo o laudo, os exames internos e externos não identificaram lesões traumáticas, fraturas, sangramentos ou qualquer evidência de agressão que pudesse ter provocado a morte da menina. As únicas marcas encontradas foram arranhões superficiais sem relação com o óbito. Os peritos também concluíram que lesões observadas no corpo após a morte foram provocadas pela ação de animais e insetos.
Sem sinais de violência
A perícia também afastou a hipótese de violência sexual. De acordo com os exames realizados, não foram encontradas lesões na região genital da vítima, embora amostras tenham sido coletadas para exames complementares, conforme protocolo padrão. Um exame anatomopatológico complementar ainda está em andamento para confirmar todos os detalhes do caso.
Conforme a investigação, Maria Fernanda caminhou sozinha pela mata tentando localizar familiares após se perder na zona rural. A exposição prolongada ao ambiente frio, úmido e sem acesso à água teria provocado um quadro grave de desidratação e hipotermia, apontados como a causa mais provável da morte.
Os peritos estimam que a morte tenha ocorrido cerca de 24 horas antes da localização do corpo, embora ressaltem que fatores como temperatura e umidade podem influenciar na precisão dessa análise. O laudo também menciona que não é possível descartar completamente a hipótese de afogamento atípico, que segue sendo avaliada pelos investigadores.
Pais serão indiciados
Com a conclusão da perícia, as autoridades devem indiciar os pais da criança por abandono momentâneo de incapaz. O crime prevê pena que pode chegar a oito anos de prisão. No entanto, especialistas apontam que a Justiça poderá analisar a concessão de perdão judicial diante das circunstâncias excepcionais do caso e do profundo sofrimento enfrentado pela família.
O corpo de Maria Fernanda foi sepultado na manhã desta quinta-feira, sob forte comoção de familiares, amigos e moradores da região. O caso gerou ampla mobilização durante os dias de buscas e provocou grande repercussão em todo o estado de Goiás.














