Ladrão que invadiu restaurante 3 vezes é solto pela Justiça e dono é acusado de "excesso"
Juíz questionou fato do suspeito ter sido amarrado; defesa falou em "homem negro sendo caçado"

Menos de 24 horas após ser amarrado pelo proprietário de um restaurante por furtar bebidas caras, o ex-funcionário de 29 anos recebeu liberdade provisória. A decisão, tomada nesta sexta-feira (2) em audiência de custódia, determina que o suspeito use tornozeleira eletrônica e se mantenha afastado do estabelecimento e do empresário Danilo Ribeiro, no bairro Jundiaí, em Anápolis. O caso levanta debate sobre os limites da ação dos cidadãos e a atuação da Justiça.
A polêmica do "joelho nas costas"
Apesar dos três furtos consecutivos e do flagrante com bebidas em uma mochila, a defesa do ex-funcionário criticou a forma como ele foi detido por Danilo. O defensor público apontou que o modo como o suspeito foi prensado no chão com o joelho do proprietário nas costas, sendo um "homem negro", remeteu a uma "caçada" e a um tratamento de "objeto".
Esse argumento, somado ao fato de o furto não ter sido violento, pesou na decisão do juiz plantonista Thiago Mehari Ferreira Martins.
Leia mais:
Cansado de furtos, patrão persegue ex-funcionário e amarra ladrão no meio da rua em Anápolis; vídeo
Antecedentes e regras de liberdade
A defesa também argumentou que, embora o jovem possua um antecedente criminal de 2019, este não era relacionado a crime patrimonial, o que minimizaria o risco de reincidência imediata para o regime fechado. Com a tornozeleira eletrônica, o ex-funcionário fica sob monitoramento constante e terá de seguir uma série de regras, como não se aproximar do restaurante ou do proprietário.
A decisão da Justiça reacende a discussão sobre a autodefesa e os limites legais da ação de cidadãos para conter criminosos. Enquanto o proprietário do restaurante buscou impedir novos prejuízos, a defesa do suspeito trouxe à tona questões de direitos individuais e o modo de abordagem. O caso segue sob apuração da Polícia Civil.













