Justiça solta motorista bêbado que matou Gari em Goiânia
Desembargador acolheu pedido da Defensoria Pública e dispensou o pagamento da fiança de R$ 5 mil

O motorista realizou o teste do bafômetro e teve a embriaguez confirmada.
O motorista de aplicativo de 27 anos que foi preso em flagrante após atropelar dois servidores da Comurg na madrugada do último sábado (27), no Parque Santa Rita, em Goiânia, foi colocado em liberdade pela Justiça. A decisão foi assinada pelo desembargador Maurício Porfírio Rosa durante o plantão judicial, que dispensou o pagamento da fiança estipulada em R$ 5 mil. Enquanto o condutor deixa a prisão, a servidora Aparecida Alves da Silva, de 61 anos, continua internada no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugol) passando pelas etapas finais do protocolo de morte encefálica.
A soltura do motorista ocorreu após a Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) ingressar com um pedido de habeas corpus. Na audiência de custódia inicial, o juiz de primeiro grau havia concedido a liberdade provisória, mas condicionado a saída do jovem ao pagamento do valor financeiro. A defesa alegou que o investigado não tinha condições de arcar com os R$ 5 mil por ter renda variável como motorista de aplicativo e possuir um filho de 10 anos para sustentar.
Ao avaliar o caso, o desembargador considerou que manter o motorista preso exclusivamente pela falta do pagamento configuraria uma punição baseada na vulnerabilidade econômica. O magistrado destacou que o condutor é tecnicamente primário e possui bons antecedentes, julgando que as outras medidas cautelares aplicadas são suficientes. O motorista teve o alvará de soltura expedido e responderá ao processo em liberdade, mas está obrigado a cumprir restrições como:
Suspensão imediata do direito de dirigir (CNH suspensa);
Comparecimento periódico em juízo para justificar suas atividades;
Proibição de ausentar-se da comarca sem autorização judicial.
Mudança na investigação
O acidente aconteceu por volta das 4h30 da manhã, na Avenida Americano do Brasil. Aparecida e o colega Fernando Lemes dos Santos, de 42 anos, faziam a poda da grama no canteiro central quando o veículo invadiu o espaço e os atropelou. O motorista, que realizou o teste do bafômetro e teve a embriaguez confirmada, chegou a deitar na grama e dormir logo após a colisão, tamanho o estado de alcoolemia. O outro gari atingido também foi levado ao hospital, mas não corre risco de morte.
Até o momento, o condutor responde pelo crime de lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, qualificada pela embriaguez ao volante. Contudo, a Polícia Civil de Goiás aguarda a conclusão oficial do protocolo médico de Aparecida Alves da Silva. Caso a morte encefálica da trabalhadora — que estava a poucos meses de se aposentar — seja confirmada, a Delegacia de Investigação de Crimes de Trânsito (Dict) vai alterar o indiciamento do motorista para homicídio culposo com o agravante de embriaguez, cuja pena é mais severa.
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