O empresário Maurício Peres da Cunha, irmão da prefeita de Iporá, Maysa Cunha, foi preso em flagrante na noite desta segunda-feira (4) por descumprir uma medida protetiva que o impede de se aproximar da própria mãe, Doralice Francisca Peres Cunha. A ocorrência foi registrada nas proximidades da rodovia GO-060. Há uma disputa pela divisão de um patrimônio avaliado em cerca de R$ 60 milhões.
Segundo informações da Polícia Civil, a corporação foi acionada após a idosa relatar que um drone sobrevoava a área rural onde vive. Durante as diligências, os agentes localizaram Maurício em uma picape, acompanhado de outro homem. No veículo, foram encontrados um drone e equipamentos utilizados para operação do aparelho.
Segundo Doralice, o equipamento estaria assustando o rebanho, provocando rompimento de cercas, danos materiais e fuga de animais. Ela também afirmou temer por sua integridade física, especialmente por viver sozinha em área rural. Inicialmente, a polícia investigava a possibilidade de tentativa de furto de gado.
Em depoimento, o empresário afirmou que estava no local para captar imagens do rebanho, alegando suspeitas de possíveis irregularidades envolvendo bens da herança familiar. Ainda assim, os policiais entenderam que a presença dele nas imediações da propriedade violaria a decisão judicial, que proíbe aproximação tanto da mãe quanto de áreas ligadas a ela.
A prisão foi confirmada pelo delegado Ramon Queiroz, responsável pelo caso. Maurício foi encaminhado para a unidade prisional da cidade, e a ocorrência foi registrada com base no artigo 24-A da Lei Maria da Penha, que trata do descumprimento de medidas protetivas.
Versão da defesa
Ao portal Mais Goiás, a defesa do empresário negou qualquer irregularidade e afirmou que não houve violação da ordem judicial. De acordo com os advogados, o episódio está inserido em uma disputa pela divisão de um patrimônio avaliado em cerca de R$ 60 milhões.
Os representantes legais sustentam que Maurício estava a mais de 1,5 quilômetro do curral e que utilizou o drone apenas para monitorar bens do espólio, sem contato com familiares. Também alegam que ele agiu dentro de seus direitos como herdeiro e consideram a prisão indevida.
Além disso, a defesa afirma que a inventariante e a prefeita teriam autorizado a venda de animais pertencentes ao espólio sem autorização judicial. Essa acusação, no entanto, não integra, até o momento, a investigação conduzida pela polícia.
A reportagem também tentou contato com a prefeita de Iporá, Maysa Cunha, mas não obteve resposta até a última atualização desta matéria. O espaço está aberto.