Investigação aponta que companheira de Renata tentou salvar Delson, foi ferida e jornalista morreu a facadas
Delson tentou intervir para defender a mulher, mas acabou sendo atingido por diversos golpes de faca. O jornalista não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local.

Renata Oliveira, proprietária do imóvel, estava no local acompanhada da companheira e consumia bebidas alcoólicas com a vítima.
O jornalista Delson Carlos, de 46 anos, morto a facadas na tarde de sexta-feira (24), durante uma confraternização em um apartamento no Residencial Dom Lourenço, no Setor Bueno, em Goiânia. A suspeita do crime é Renata de Almeida Pedreira e Souza, amiga de longa data da vítima, que permaneceu trancada no imóvel após o ataque e só foi detida depois de uma operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
Segundo as investigações, Delson estava reunido com Renata e a companheira dela no apartamento onde morava, imóvel pertencente à empresária e alugado ao jornalista havia cerca de cinco anos. Os três consumiam bebidas alcoólicas quando uma discussão começou.
Durante a confusão, Renata teria pegado uma faca e atacado Delson. A companheira da suspeita tentou intervir para defender o jornalista e acabou ferida com um golpe no ombro. Delson também foi atingido por diversos golpes de faca e morreu ainda no apartamento, antes da chegada do socorro.
Após o crime, Renata se trancou no imóvel e se recusou a se entregar, dando início a uma ocorrência de gerenciamento de crise. A Polícia Militar interditou a rua em frente ao condomínio para posicionar viaturas e ambulâncias, enquanto moradores do mesmo andar foram retirados por segurança.
Três horas de negociação
A situação mobilizou dezenas de policiais, equipes do Corpo de Bombeiros e ambulâncias. A rua precisou ser interditada para permitir a atuação das forças de segurança, enquanto moradores do mesmo andar foram retirados por precaução.
O comando da ocorrência passou para a Companhia de Gerenciamento de Crises do Bope, que iniciou uma negociação para tentar convencer a suspeita a se entregar. Segundo o comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), major João Júnior, durante a ocorrência foi constatado que a mulher apresentava um surto psicótico.
As negociações se estenderam por mais de três horas, mas não surtiram efeito. Conforme informou o Bope, durante esse período Renata também tentou contra a própria vida, tornando necessária uma intervenção imediata das equipes especializadas.
Explosivos e arma de choque
Diante da falta de sucesso nas negociações, o Bope realizou uma invasão programada ao apartamento. Para acessar o imóvel, os policiais utilizaram artefatos explosivos distrativos para romper a porta.
As imagens registradas após a ação mostram o hall do sétimo andar com o forro de gesso danificado, além da porta do apartamento destruída. Já no interior do imóvel, os policiais utilizaram uma arma de incapacitação elétrica (Taser) para conter Renata.
Ela foi presa em flagrante, mas, como apresentava ferimentos, foi encaminhada sob escolta ao Hospital Estadual de Urgências de Goiás (Hugo). Posteriormente, permaneceu à disposição da Justiça para audiência de custódia.
Apartamento ficou destruído
Além do homicídio, surgiram novos detalhes sobre o estado em que o imóvel foi encontrado. Segundo um policial militar que participou da ocorrência, Renata também teria matado os cães pertencentes ao jornalista durante o período em que permaneceu trancada no apartamento.
Uma testemunha relatou ainda que a empresária arremessou diversos objetos pela sacada do edifício, entre eles notebook e televisão, provocando destruição dentro do imóvel antes da entrada das equipes táticas.
Essas informações ainda serão analisadas oficialmente durante a investigação conduzida pela Polícia Civil.
Investigação continua
Renata se apresenta nas redes sociais como empresária e CEO de uma marca de roupas. Ela também possui registro ativo há mais de 30 anos no Conselho Regional de Odontologia de Goiás como cirurgiã-dentista e odontopediatra.
Já Delson Carlos era jornalista e mantinha uma coluna no Diário de Aparecida. A morte do profissional foi lamentada pelo veículo de comunicação e repercutiu entre colegas e amigos.
A Polícia Civil investiga a motivação da discussão, a dinâmica exata das agressões e a responsabilidade criminal dos envolvidos. Perícias realizadas no apartamento, depoimentos de testemunhas e laudos técnicos deverão esclarecer definitivamente como a confraternização entre amigos terminou em uma tragédia.
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