Homem espanca enteado de 1 ano até a morte e diz que “exagerou na forma de educar”
Wisley Serafim dos Santos passou pelo Tribunal do Júri nessa quinta-feira (05), em Rio Verde, e foi condenado por homicídio por motivo fútil, meio cruel, fraude processual e tortura.

Wisley Serafim dos Santos espancou o enteado, Davi Lucas Alves, 1 ano e 8 meses, até à morte, em casa, em Rio Verde (231 km da Capital), e tentou simular que o menino tinha sofrido um acidente doméstico para se livrar da responsabilidade de seu ato.
A mãe da criança também é ré pelo crime de omissão de tortura, já que tinha conhecimento das agressões e não fez nada para proteger o filho. Ela responde em liberdade, sendo monitorada por tornozeleira eletrônica.
A criança morreu no dia 31 de agosto de 2020 e o acusado passou pelo Tribunal do Júri nessa quinta-feira (05), quando foi condenado a 29 anos e 8 meses de prisão em regime fechado.
De acordo com as investigações, Wisley confessou ter agredido o enteado com chineladas e as mãos. Em uma gravação, o acusado, após perceber que, devido às agressões a criança tinha perdido a consciência, chegou a dizer que deu um banho no garoto para tentar reanimá-lo.
Em seguida, acionou o socorro para tentar simular uma morte acidental. Porém, os médicos desconfiaram das condições em que o corpo do menino foi encontrado e levantaram suspeita de crime.
Foi verificado que após o fato o padrasto deu uma faxina em casa para tentar se livrar de possíveis evidências e chamou o socorro na tentativa de simular uma morte acidental. Consta nos registros policiais que o homem apresentou algumas versões controversas, mas depois confessou o crime, dando detalhes das agressões com as mãos e chinelos.
Marta Gomes, avó da vítima, disse que as agressões eram recorrentes. Relatou que pediu o Conselho Tutelar por três vezes para visitar a família.
Em depoimento no júri, a conselheira informou que em duas visitas na casa nenhuma irregularidade foi encontrada.
As investigações da Polícia Civil, chefiadas à época pelo delegado Danilo Fabiano Carvalho, apontaram que o bebê já havia sido agredido outras vezes pelo padrasto.
Segundo as apurações, a mãe tinha conhecimento dessas atitudes violentas do companheiro para com o filho, mas não agiu no sentido de separá-los - por isso ela também foi denunciada.
Durante as apurações policiais, uma vizinha relatou já ter ouvido o neném ser agredido.
Wisley foi condenado por homicídio triplamente qualificado, por motivo fútil, meio cruel de forma que dificultou a defesa da vítima. Além disso, teve aumento de pena por fraude processual penal e tortura. A defesa informou que vai recorrer.
“Essa será a tese principal da defesa, considerado o depoimento das testemunhas e o próprio interrogatório do réu, que confessa que praticou a conduta, mas não o homicídio. Na concepção dele, ele estaria educando a criança de forma exagerada”, disse o advogado Felipe Mendes Vilela à TV Anhanguera.

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