Guardas civis de Goiás são denunciados por tortura e sequestro de casal; assista
Segundo o MP, agentes invadiram a casa das vítimas, em Santa Helena, em busca de informações sobre drogas, fizeram ameaças, agrediram o casal e levaram o homem para um local afastado, onde ele teria sido torturado

De acordo com a denúncia, os agentes teriam invadido a residência do casal em busca de informações relacionadas ao tráfico de drogas.
Cinco guardas civis municipais de Santa Helena de Goiás foram afastados das funções por decisão da Justiça após serem denunciados pelo Ministério Público pelos crimes de tortura, ameaças e sequestro de um casal. Os fatos investigados teriam ocorrido em março deste ano e, agora, passam a ser analisados no âmbito de uma ação penal.
De acordo com a denúncia, os agentes teriam invadido a residência do casal em busca de informações relacionadas ao tráfico de drogas. Durante a abordagem, segundo o Ministério Público, as vítimas foram agredidas e ameaçadas. Em seguida, o homem teria sido levado pelos guardas para uma área afastada da cidade, onde teria sofrido sessões de tortura.
Ao receber a denúncia, a juíza responsável pelo caso entendeu que existem indícios suficientes da prática dos crimes para justificar a abertura da ação penal. Além disso, determinou o afastamento cautelar dos cinco guardas civis municipais para garantir o andamento das investigações.
Na decisão, a magistrada destacou que há receio de que os denunciados possam utilizar a função pública para intimidar vítimas ou testemunhas. Por isso, também proibiu qualquer contato dos investigados com as pessoas envolvidas no processo.
A juíza ainda ressaltou que a suspensão do exercício da função pública é necessária porque os supostos crimes teriam sido cometidos justamente durante o exercício da atividade de guarda civil municipal e com o uso da estrutura disponibilizada pelo cargo.
A advogada que representa o casal afirmou esperar que os responsáveis sejam punidos ao fim do processo. Segundo ela, "que eles paguem por esses crimes que praticaram, que a lei seja aplicada de uma forma justa e que tenham a pena que merecem por toda essa crueldade causada às vítimas". A defesa das vítimas também defende que os guardas sejam desligados definitivamente dos cargos caso haja condenação.
Com o afastamento determinado pela Justiça, os cinco guardas permanecem fora das funções enquanto o processo segue em tramitação. Eles ainda terão prazo para apresentar defesa e contestar as acusações feitas pelo Ministério Público.
Em nota, a Guarda Civil Municipal de Santa Helena de Goiás confirmou o afastamento dos agentes e afirmou que não compactua com desvios de conduta de seus servidores. Informou ainda que a Corregedoria instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar os fatos e que tem colaborado com as autoridades, fornecendo documentos e demais informações solicitadas.
Já a defesa dos guardas Camila Maria Soares, Dielis Ronielle Serpa, Juan Felipe de Castro Batista, Jonathan Ramon Freitas Alves e Matheus Souza Rabelo afirmou que o recebimento da denúncia representa apenas o início da ação penal e não significa condenação. Segundo os advogados, todas as acusações serão contestadas ao longo do processo.
A Associação das Guardas Civis do Estado de Goiás informou que acompanha o caso desde o início, presta assistência jurídica aos cinco agentes e defendeu que as acusações sejam analisadas com base nas provas produzidas e no respeito ao devido processo legal.














