Grupo planejava explodir o Planalto e atacar políticos; veja
Polícia descobriu rede com mais de 600 integrantes em grupos secretos do Telegram. Investigados compartilhavam manuais de explosivos, mapas de prédios públicos e discutiam atentados contra autoridades

Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal revelou a existência de um grupo extremista que usava a internet para planejar ataques contra políticos e prédios públicos em Brasília. Segundo as autoridades, os suspeitos discutiam a fabricação de explosivos, compartilhavam conteúdos de ideologia neonazista e traçavam estratégias para promover atentados de grande impacto na capital federal.
As investigações apontam que os integrantes nunca haviam se encontrado pessoalmente. Toda a articulação acontecia em grupos fechados no Telegram, monitorados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em uma das mensagens interceptadas, um participante orientava: "Vocês deveriam listar os principais alvos para garantir o sucesso da revolução". Em outra conversa, afirmava que "muito dificilmente nossos inimigos estão concentrados em um único lugar".
Um dos grupos utilizava a imagem de Adolf Hitler como foto de perfil. Entre os planos debatidos estava a intenção de "explodir o edifício do debate onde os eleitos do 2º turno irão debater", além de ações violentas contra instituições da República.
De acordo com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, as conversas revelaram que as ameaças eram concretas e não poderiam ser tratadas como simples provocações na internet.
"Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado eram atentados sérios", afirmou o ministro, que também alertou para o risco de normalizar discursos extremistas. Segundo ele, a sociedade precisa permanecer atenta para impedir que esse tipo de comportamento se fortaleça.
As investigações identificaram dois níveis de organização. O grupo principal reunia mais de 600 participantes. Já os membros considerados mais radicalizados eram convidados para uma segunda comunidade, com apenas 46 integrantes, onde deixavam de trocar apenas opiniões e passavam a compartilhar instruções práticas para a execução dos ataques.
Nesse ambiente restrito, circulavam manuais ensinando a fabricar explosivos caseiros, coquetéis Molotov e outros artefatos incendiários. Os investigados também discutiam quantidades de material explosivo, custos das operações e estratégias para aumentar o potencial destrutivo das ações.
Segundo o Ministério da Justiça, os administradores ainda tentavam identificar participantes dispostos a matar durante os atentados.
As conversas monitoradas revelaram que o principal objetivo do grupo era invadir e explodir prédios públicos, especialmente o Palácio do Planalto. O plano, segundo a investigação, pretendia transformar Brasília no palco de uma ação violenta com o objetivo de espalhar uma mensagem antidemocrática para todo o país.
O delegado responsável pelo caso afirmou que os investigados chegaram a compartilhar mapas da Esplanada dos Ministérios, do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e até a planta baixa do Palácio do Planalto.
"Chegaram, inclusive, a compartilhar a planta baixa do Palácio do Planalto, para mostrar lá: 'A planta deles é assim, a gente pode entrar por aqui, sair por aqui'", relatou.
O relatório produzido pelo Ciberlab, laboratório especializado em crimes cibernéticos do Ministério da Justiça, concluiu que o material compartilhado apresentava elevado grau de periculosidade, com planejamento de atos violentos mediante uso de explosivos, disseminação de ideologia neonazista, misoginia e incentivo à violência.
O acesso aos grupos era restrito e dependia de convites específicos ou da busca pelos nomes exatos das comunidades, o que dificultava a identificação pelos investigadores.
O ministro destacou que a internet se tornou um dos principais ambientes para a prática de crimes de extremismo e ressaltou a importância do trabalho do Ciberlab.
"Nós temos aqui dentro do Ministério da Justiça o Ciberlab, que capturou essas informações e compartilhou com diversos parceiros", afirmou.
Instalado em uma sala de acesso restrito em Brasília, o laboratório atua na identificação de perfis anônimos ligados à produção e disseminação de conteúdos racistas, misóginos, homofóbicos e extremistas. Somente em 2026, o órgão elaborou 103 relatórios sobre mais de 50 grupos de ódio diferentes.
Na última terça-feira (4), a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades distribuídas por cinco estados. Computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos foram recolhidos e seguem sendo periciados.
Os investigados poderão responder por associação criminosa, apologia ao nazismo, distribuição de material nazista e incitação ao crime. As autoridades continuam analisando as provas para identificar outros envolvidos.
Para o delegado responsável pela investigação, a ação policial evitou que o plano pudesse sair do papel.
"A gente acredita que eles levariam [o plano] à frente. E a nossa teoria aqui é que a gente não vai pagar para ver", afirmou.
Ao comentar o avanço do extremismo, o ministro reforçou que o combate a esse tipo de organização depende da vigilância permanente da sociedade.
"O sentimento do extremismo será sempre contra o pluralismo. E nós todos, democratas, cidadãos, temos que estar vigilantes em relação a isso", concluiu.

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