Gerente que humilhou caminhoneiro por causa de milho pode responder por racismo contra população goiana; veja vídeo
Delegado Tiago Cézar, responsável pelas investigações, relatou que Fernando foi ouvido na delegacia nessa quinta-feira (12), o motorista será ouvido nos próximos dias.

Gerente da fazenda Bianco, Fernando Rosbach, que flagrou um caminhoneiro “catando” espigas de milho da plantação, que pertence à propriedade, à margem da rodovia GO-346, em Cabeceiras (339 km de Goiânia), humilhou o profissional, gravou e publicou vídeo do momento nas redes sociais, além de estar recebendo diversas ameaças de morte e ataques na internet, pode responder por crime de “racismo” por chamar a população goiana de “ladra”.
O fato gerou grande repercussão e revolta social tanto pela humilhação que o gerente submeteu o caminhoneiro, por causa de algumas espigas de milho, quando pela fala do administrador de que “essa goianada roubando milho, não tem vergonha na cara, não tem caráter”.
Delegado Tiago Cézar, responsável pelas investigações, relatou que Fernando foi ouvido na delegacia nessa quinta-feira (12), o motorista será ouvido nos próximos dias. Ressaltou ainda que esse caso, além de toda repercussão, deixou de ser uma simples repreensão do gerente da fazenda contra alguém que estava catando milho à beira da lavoura e passou a ser enquadrado em “crime de racismo” cometido contra a população goiana.
“É um caso de tanta complexidade estamos até com um certo receio de prestar maiores informações e prejudicar, em muito, as investigações. Mas, o que podemos falar de uma maneira inicial é que na manhã de hoje nós estivemos junto com a perícia criminal no local, fizemos um levantamento da área porque nessa última madrugada houve alguns disparos de arma de fogo na entrada da fazenda Bianco. O que inicialmente era uma mera repreensão do gerente da fazenda contra um rapaz que estava se apropriando de algumas espigas de milho desencadeou possível delito de racismo cometido pelo gerente da fazenda em desfavor de toda a população do estado de Goiás, de todos os goianos, então nós estamos apurando”, explicou o delegado.
Tiago acrescentou que a atitude de Fernando pode ser enquadrada como crime, mas os ataques e ameaças contra o acusado e ao proprietário da fazenda também são crimes, apesar de entender a revolta social pelas ofensas à população goiana, que até ele mesmo (delegado) sentiu pelo fato de ser do estado.
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A propriedade tem sido alvo de ataques. Populares tem ido à frente da fazenda, gravado vídeos desafiando Fernando e atirando contra placa da entrada e lavoura.
"Motorista ladrão roubando meu milho. Parabéns, cara. O senhor acaba de ser notificado como ladrão. Vou passar para a polícia, mostrar como faz essa goianada roubando milho, não tem vergonha na cara, não tem caráter. […] Que isso sirva de exemplo para todo mundo. Aqui no Goiás tem essa mania de roubar as coisas dos outros, então vou educar o pessoal. Nunca mais faça isso, que sirva de exemplo", disse o gerente na gravação feita e publicada pelo próprio.
Vídeo que circula nas redes sociais há alguns dias mostra um homem, ainda não identificado, que estaciona o carro em frente à plantação da Bianco, faz ameaças e atira contra a plantação.
“Opa! Bom seu Fernando? Óh onde eu tô, aqui na beira do seu milho, na beira da sua fazenda, que não é sua né seu m#%@! Vou pegar três sacos de milho aqui agora, vem me chamar de ladrão aqui!”, ameaçou o homem revoltado. Assista aqui.
A placa na entrada da fazenda e a lavoura de milho foram alvos de dezenas de tiros na madrugada dessa sexta-feira (13). Polícia Civil e Polícia Técnico-Científica (PTC) estiveram na propriedade fazendo perícia para tentar identificar os responsáveis pelos ataques à Bianco.
Caso segue em investigação.
Veja o vídeo publicado pela Rádio Interativa FM Cabeceiras de Goiás

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