O que deveria ser um dia de movimento intenso e expectativa com a Mega da Virada terminou em um prejuízo expressivo para uma casa lotérica no Setor Campinas, em Goiânia. Uma funcionária do estabelecimento foi vítima de um suposto estelionatário que se passou pelo proprietário do local e conseguiu provocar uma perda superior a R$ 200 mil.
O crime foi registrado nesta quarta-feira (31) e, segundo o relato à polícia, teve início por volta das 9h40. Usando um número de WhatsApp com a foto de um homem de meia-idade, o golpista entrou em contato com a jovem, apresentou-se como o patrão e iniciou a conversa tratando dos bolões da Mega da Virada.
Demonstrando conhecer detalhes da rotina do trabalho e até informações pessoais da funcionária, o suspeito passou a encaminhar dezenas de boletos bancários, pedindo que fossem quitados imediatamente no caixa da lotérica. Para reforçar a aparência de legitimidade, ele também enviou comprovantes falsos de transferências via P1X, levando a vítima a acreditar que os valores estariam sendo repostos na conta da empresa.
Convencida de que cumpria ordens diretas do dono do negócio, a funcionária realizou sucessivos pagamentos, em sua maioria no valor de R$ 5 mil, ao longo de todo o dia. A fraude só começou a ser percebida no fim da tarde, por volta das 16h, quando ela estranhou o volume elevado de transações e tentou falar diretamente com o suposto patrão. Após várias tentativas sem resposta, uma ligação rápida, de cerca de 13 segundos, foi suficiente para que a jovem percebesse que havia caído em uma cilada.
O caso ganhou contornos ainda mais delicados quando a vítima informou que o número utilizado no golpe já estava salvo em seu celular com o nome do proprietário da lotérica, apesar de o aparelho ser novo. Em depoimento, ela relatou que a única pessoa que teve acesso recente ao telefone foi um ex-namorado, com quem teve um término conturbado e contra quem possui medida protetiva.
A Polícia Civil investiga o caso e tenta identificar os beneficiários dos boletos pagos, que incluiriam desde empresas de prestação de serviços até açaiteiras. A apuração busca esclarecer como os dados internos do estabelecimento foram obtidos e se há participação de outras pessoas no esquema.