Filhos que seriam retirados de herança planejaram a morte do pai e funcionários executaram idoso
Vítima foi morta na véspera da assinatura de testamento que retiraria filhos da linha de sucessão; crime teria sido planejado pelos próprios herdeiros.

A Polícia Civil de Goiás, por meio do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Rio Verde, com apoio da Polícia Civil de São Paulo, deflagrou nesta quarta-feira (29) a Operação Testamento, que resultou na prisão de seis pessoas suspeitas de envolvimento no assassinato de um idoso de 83 anos e na tentativa de homicídio de seu advogado, de 41 anos.
Além das prisões, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em endereços localizados nos estados de Goiás e São Paulo. Durante a operação, os agentes apreenderam cinco armas de fogo, sendo quatro compatíveis com o calibre utilizado no crime.
O assassinato ocorreu na noite de 28 de novembro de 2023, por volta das 22h20, em uma propriedade rural da vítima, às margens da GO-206, no município de Quirinópolis. De acordo com as investigações, o idoso e o advogado foram surpreendidos por dois homens armados ao chegarem de caminhonete ao local. Um dos criminosos efetuou um disparo no rosto do idoso, que morreu na hora, e dois tiros na cabeça do advogado, que sobreviveu após ser socorrido.
As apurações revelaram que o crime foi executado por um afilhado da vítima, com o auxílio dos pais, que trabalhavam como funcionários da fazenda. No entanto, o assassinato teria sido planejado pelos próprios filhos do idoso, com a participação de um corretor de imóveis, interessado em obter lucros milionários com a negociação do patrimônio da família.
Vítima bilionária
Segundo a Polícia Civil, a motivação do crime estava relacionada à disputa por herança. A vítima, cujo patrimônio era estimado em cerca de R$ 1 bilhão, havia decidido transferir todos os bens para uma holding — medida que excluiria os filhos da sucessão.
A assinatura do testamento que formalizaria essa decisão estava marcada para o dia 29 de novembro de 2023, apenas um dia após o homicídio. A investigação aponta que o assassinato foi cometido justamente para impedir a concretização do documento e beneficiar os herdeiros diretos.
Além disso, a morte do idoso também teria como finalidade quitar uma dívida que os caseiros mantinham com ele.
Os mandados judiciais foram cumpridos nas cidades de Ribeirão Preto (SP), São Joaquim da Barra (SP), Barretos (SP), São Paulo (SP), Goiânia (GO), Quirinópolis (GO), Cachoeira Alta (GO), Caçu (GO), Pires do Rio (GO) e Itarumã (GO). A Polícia Civil informou que as investigações continuam, e novas prisões não estão descartadas.

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