Família diz que motorista bêbado ameaçava idoso antes de matar atropelado em Mineiros
Parente afirma que empresário dizia, havia cerca de um ano, que um dia iria atropelar aquele velho. Motorista está preso, nega qualquer desavença e polícia apura se atropelamento foi intencional

O delegado Marcos Gomes informou que existem elementos suficientes para enquadrar o caso como homicídio com dolo eventual.
Denúncia feita pela família de um idoso atropelado em Mineiros, no sudoeste de Goiás, trouxe um novo elemento para a investigação da tragédia que terminou com três mortos no último domingo (12). Segundo o relato apresentado à Polícia Civil, Henrique José Primo, de 72 anos, vinha sendo ameaçado pelo motorista Lucinário Nunes Athayde, de 52 anos, que está preso após atropelar o idoso e, minutos depois, provocar um acidente que matou pai e filho.
De acordo com o familiar, Lucinário teria se desentendido com Henrique cerca de um ano atrás e, sempre que consumia bebida alcoólica, dizia para outras pessoas que "um dia iria atropelar aquele velho". O idoso já havia contado aos parentes sobre as ameaças.
Ainda conforme o depoimento, os dois frequentavam o mesmo bar, localizado próximo ao local do atropelamento, e estiveram no estabelecimento no dia da tragédia. A testemunha também afirmou que um vídeo gravado nas proximidades mostra a caminhonete parada perto da vítima e, logo depois, acelerando em sua direção. As imagens serão analisadas pela Polícia Civil.
Após atingir Henrique, que morreu no local, Lucinário seguiu pela Avenida Contorno em alta velocidade. Pouco depois, bateu violentamente contra um Fiat Palio que estava parado na sinalização de parada obrigatória. O impacto arrastou os veículos até uma praça e matou Claudiney de Oliveira Rodrigues, de 39 anos, e o filho dele, Breno Kauã Pereira da Frota Rodrigues, de 13 anos.
Segundo a Polícia Militar, os agentes chegaram ao local e encontraram a caminhonete Chevrolet S-10 e o Palio completamente destruídos. O motorista já recebia atendimento do Corpo de Bombeiros enquanto era cercado por moradores revoltados, que tentavam agredi-lo.
Submetido ao teste do bafômetro, Lucinário apresentou 1,05 miligrama de álcool por litro de ar alveolar, índice muito acima do limite de 0,3 mg/L previsto no Código de Trânsito Brasileiro para configurar o crime de embriaguez ao volante. Ele foi preso em flagrante e, após audiência de custódia realizada na segunda-feira (13), teve a prisão mantida.
O delegado Marcos Gomes informou que existem elementos suficientes para enquadrar o caso como homicídio com dolo eventual. "Ocorre quando o agente, embora não queira diretamente o resultado, assume o risco de produzi-lo. A análise foi feita com base nas circunstâncias concretas dos elementos produzidos até o momento", afirmou.
O delegado ressaltou ainda que a investigação também vai esclarecer se o atropelamento de Henrique foi motivado por uma discussão anterior. "Existem informações, ainda precárias, que esse primeiro atropelamento teria sido motivado por uma possível discussão, o que vai ser apurado durante a investigação", disse.
Em nota, os advogados Rosimar Django Pereira Luz e Edeilson Pinheiro da Silva, que representam Lucinário, manifestaram solidariedade às famílias das vítimas e afirmaram que o empresário "desde o primeiro momento, tem se mostrado plenamente cooperativo com as autoridades competentes". A defesa sustenta que o episódio foi uma fatalidade e nega qualquer rixa ou desavença entre o motorista e as vítimas, afirmando que alegações em sentido contrário "não correspondem à verdade dos fatos e não encontram respaldo nas investigações".
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