Facção que agia em Goiás movimentou R$ 320 milhões; polícia bloqueia R$ 160 milhões
Operação da DENARC revela braço financeiro de grupo criminoso com atuação em Goiânia e região; líder condenado a mais de 106 anos de prisão foi preso no Setor Marista

As investigações começaram a avançar a partir da Operação Reincidentes, realizada em novembro do ano passado.
Uma investigação da Polícia Civil de Goiás revelou que uma facção criminosa com atuação no estado criou uma estrutura milionária para lavar dinheiro do tráfico de drogas e armas. Batizada de Operação Cifra Oculta, a ação deflagrada nesta quinta-feira (10) cumpriu 15 mandados de prisão temporária e 21 de busca e apreensão em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Edéia, além de determinar o bloqueio de R$ 160 milhões em bens e valores dos investigados.
A operação foi conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (DENARC) e teve apoio da Polícia Civil de Itapema, em Santa Catarina. Segundo os investigadores, o grupo criminoso movimentou cerca de R$ 320 milhões em pouco mais de um ano por meio de um esquema que usava empresas de fachada e uma fintech ligada à liderança da organização.
As investigações começaram a avançar a partir da Operação Reincidentes, realizada em novembro do ano passado contra integrantes da facção que atuavam principalmente na região sul de Goiânia com tráfico de drogas e armas de fogo. Na ocasião, dez criminosos foram presos.
A partir dos materiais apreendidos naquela operação, a polícia identificou uma estrutura de comando dentro da facção em Goiás. Entre os alvos estava um dos principais líderes do grupo no estado, apontado como responsável por coordenar a distribuição de drogas para diferentes regiões goianas.
O suspeito acumula condenações que ultrapassam 106 anos de prisão por crimes como tráfico de drogas, homicídio, associação para o tráfico e roubo a banco. Ele foi preso na última sexta-feira (3), ao sair de uma casa noturna no Setor Marista, em Goiânia.
Segundo a Polícia Civil, o homem estava no regime semiaberto, com monitoramento por tornozeleira eletrônica desde o início de junho, mas rompeu o equipamento e passou a ser considerado foragido após ser encontrado em uma reunião com outros criminosos em uma casa de luxo em Angra dos Reis (RJ).
A investigação também apontou que a facção mantinha uma rede financeira estruturada em Goiás. Pelo menos sete empresas de fachada eram usadas para esconder a origem do dinheiro, além de uma fintech vinculada ao grupo.
A operação também revelou conexões internacionais da organização. Um dos investigados está preso em Portugal desde fevereiro, após ser flagrado em uma investigação por tráfico de drogas no Aeroporto de Lisboa. Outro suspeito permanece foragido no país europeu.
A polícia também relaciona o grupo a episódios de demonstração de força registrados em Goiás. Durante a Operação Reincidentes, os investigadores descobriram que um foguetório ocorrido em cidades goianas no início de novembro teria sido uma homenagem organizada pela facção a dois integrantes mortos em confronto com a polícia no Rio de Janeiro durante a Operação Contenção, em outubro.
Na ação desta quinta-feira, equipes da DENARC apreenderam veículos, drogas, celulares, computadores e documentos que serão analisados pela perícia. O material deve ajudar a identificar novos integrantes e ampliar o rastreamento do dinheiro movimentado pelo grupo criminoso em Goiás.
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