Ex mata advogada criminalista e deixa vídeo para "justificar" feminicídio
Ana Paula Rocha de Jesus foi assassinada a tiros em estacionamento de Governador Valadares (MG); dias antes, ela havia denunciado o acusado por descumprimento de medida protetiva.

A advogada criminalista Ana Paula Rocha de Jesus foi morta a tiros em um estacionamento da cidade de Governador Valadares, no interior de Minas Gerais, na terça-feira (16). O autor dos disparos foi o seu ex-marido, Lucas Gomes Pinto, que cometeu suicídio logo após o crime.
Câmeras de segurança do estabelecimento registraram o momento em que Ana Paula entra no local falando ao telefone. Ao notar a aproximação de Lucas, ela tenta desesperadamente deixar o estacionamento, mas é alcançada pelo ex-companheiro.
Segundo testemunhas e informações da Polícia Militar, Lucas disparou várias vezes contra a vítima. Após Ana Paula cair, ele efetuou novos tiros e, na sequência, disparou contra a própria cabeça. O Samu foi acionado, mas ambos já estavam mortos quando o socorro chegou.
O assassinato aconteceu pouco tempo depois de a advogada buscar proteção policial. No último domingo (14), Ana Paula registrou um boletim de ocorrência informando que o ex-marido estava descumprindo uma medida protetiva que a Justiça havia concedido em seu favor. O descumprimento de ordem judicial é um sinal de alerta grave em casos de violência doméstica, como se confirmou tragicamente neste caso.
A "justificativa" do criminoso
Antes de cometer o feminicídio, Lucas gravou um vídeo em que tenta justificar o crime, alegando ter sido traído. Nas imagens, o assassino exibe peças de roupa que pertenceriam à advogada e faz uma série de acusações infundadas sobre um suposto relacionamento dela com um detento.
O criminoso ainda descreve que instalou um rastreador com escuta no carro da vítima para monitorar seus passos.
"Estou saindo como homem da família", diz ele, em uma tentativa de mascarar o crime de ódio com uma suposta "honra" ferida, ignorando que o feminicídio é o ápice da violência contra a mulher.
A Polícia Civil apreendeu o celular do criminoso e a arma usada no crime. Os corpos foram levados ao Instituto Médico Legal (IML), e o caso segue sob investigação para esclarecer todos os detalhes dessa tragédia.
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