Ex-diretor da Educação de Goiânia é foragido da PF; entenda as investigações
Itallo Moreira de Almeida, ex-diretor administrativo da Secretaria Municipal de Educação de Goiânia, foi nomeado para o cargo em Goiânia em 20 de agosto e exonerado em 10 de dezembro

Itallo Moreira de Almeida, ex-diretor administrativo da Secretaria Municipal de Educação de Goiânia (SME), está foragido da Polícia Federal (PF) em meio a uma investigação que apura um esquema de fraudes e desvios de recursos em contratos públicos em pelo menos 14 estados brasileiros. Itallo foi nomeado para o cargo em Goiânia em 20 de agosto e exonerado em 10 de dezembro, no mesmo dia em que a Operação Overclean, da PF da Bahia, foi deflagrada, incluindo um mandado de prisão contra ele e a determinação de afastamento de cargos públicos.
A Operação Overclean investiga fraudes em licitações e superfaturamento em obras públicas, principalmente aquelas financiadas por emendas parlamentares. A Polícia Federal monitorou um empresário transportando suposto dinheiro de propina, mais de R$ 1,5 milhão, em um jatinho para Brasília. O inquérito aponta que o grupo criminoso movimentou cerca de R$ 1,4 bilhão.
Itallo Moreira de Almeida é o único dos 17 alvos de prisão que permanece foragido. Sua defesa informou que solicitou a revogação da ordem judicial e a substituição por outras medidas cautelares.
Ele também é investigado por sua atuação como servidor da Secretaria Estadual de Educação do Tocantins, onde teria favorecido contratações de uma empresa específica em troca de propinas. Segundo a PF, Itallo recebeu R$ 172.590,00 transferidos para contas indicadas por ele aos empresários investigados.
Antes de ser nomeado diretor administrativo da SME em Goiânia, Itallo atuava na Secretaria Estadual de Educação do Tocantins, onde ocupou o cargo de assistente especializado II desde 2023, além de outros cargos comissionados desde 2021. Ele se desligou oficialmente do governo do Tocantins em 30 de setembro de 2024.
O ex-diretor é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. De acordo com as investigações, ele teria favorecido a empresa Larclean Saúde Ambiental, que obteve contratos com três secretarias do Estado do Tocantins. Em troca, Itallo indicava contas para depósitos de supostas propinas.
A Larclean Saúde Ambiental, envolvida no esquema, tem contrato com a gestão municipal de Goiânia desde junho do ano passado, especificamente com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A empresa foi contratada para serviços de dedetização do órgão, inicialmente por R$ 3,27 milhões por 12 meses. Em setembro deste ano, o contrato foi aditivado para R$ 4,08 milhões e renovado por mais um ano.
Embora a investigação não mencione diretamente o contrato em Goiânia, ela apura os contratos da empresa no interior da Bahia e no Tocantins.
ORIGEM DA INVESTIGAÇÃO
O inquérito da PF teve início a partir de suspeitas de irregularidades na execução de um contrato celebrado pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) com a empresa Allpha Pavimentações e Serviços de Construções, para o asfaltamento de vias públicas no interior da Bahia. À medida que a investigação avançou, surgiram suspeitas de atuação criminosa do grupo em outros estados, incluindo o Tocantins e Goiás.
O novo secretário de Educação de Goiânia, Danilo de Azevedo Costa, que também teve atuação no Tocantins e substituiu Millene Baldy no comando da pasta, nomeou Itallo Moreira de Almeida em agosto. A exoneração de Itallo ocorreu no mesmo dia em que a Operação Overclean foi deflagrada, sugerindo uma resposta rápida às ações da Polícia Federal.

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