Erro em ação judicial de Goiás faz professora ser presa dentro de escola em Rondônia; veja vídeo
Apesar de nunca ter estado em Aparecida de Goiânia e afirmar que não possuía qualquer pendência judicial, as informações apresentadas aos agentes coincidiam co

A prisão ocorreu enquanto a pedagoga ministrava aula em uma escola municipal de Vilhena.
Uma falha cadastral em um processo judicial que tramita em Goiás resultou na prisão indevida da pedagoga Suelen da Cruz Nunes, de 36 anos, em Vilhena, Rondônia. A professora foi detida dentro da escola onde trabalhava após ter seu nome vinculado, por engano, a um mandado de prisão por dívida de pensão alimentícia expedido pela 1ª Vara de Família e Sucessões de Aparecida de Goiânia.
Segundo a advogada Wilma Fernandes, que representa Suelen, o problema ocorreu porque o CPF da professora foi inserido incorretamente no processo. Com isso, os dados dela passaram a constar no banco nacional de mandados de prisão, levando ao cumprimento da ordem judicial contra a pessoa errada.
A prisão ocorreu enquanto a pedagoga ministrava aula em uma escola municipal de Vilhena. Conforme relatou, policiais entraram na unidade de ensino, a retiraram da sala e passaram a conferir seus dados pessoais. Apesar de nunca ter estado em Aparecida de Goiânia e afirmar que não possuía qualquer pendência judicial, as informações apresentadas aos agentes coincidiam com aquelas registradas no mandado.
“Eu não estava acreditando naquela situação. Me senti muito humilhada. Saber que eu fui levada do meu trabalho. Todo mundo ficou olhando, questionando: ‘O que aconteceu? A professora está sendo presa?’”, desabafou.
Suelen é divorciada e mãe de uma menina de oito anos diagnosticada com autismo nível 2 de suporte. Segundo ela, a filha mora sob sua guarda e recebe regularmente a pensão alimentícia paga pelo pai, que vive em Mato Grosso.
O verdadeiro alvo do mandado, de acordo com a defesa, seria uma mulher residente em Aparecida de Goiânia que possui nome semelhante ao da professora, mas com grafia diferente.
Mesmo após tentar explicar o equívoco, Suelen foi encaminhada para uma delegacia e, posteriormente, levada para o presídio feminino da cidade. Ela permaneceu presa por cerca de 12 horas.
“Nunca imaginei estar numa cela de prisão. Eu sempre trabalhei, sempre fui honesta. Trabalho em duas escolas para ter alguma coisa para dar para minha filha”, afirmou.
A professora relatou ainda as dificuldades enfrentadas durante o período em que permaneceu detida. Segundo ela, ficou em uma cela pequena, dividindo espaço com outra presa, sem colchão, sem acesso à água e sem alimentação adequada.
“Lá na cela é um sentimento de impotência. Eu me sentia um nada”, relembrou.
A liberação ocorreu somente após a atuação da advogada, que conseguiu demonstrar à Justiça que a pessoa presa não era a verdadeira devedora de pensão alimentícia. O alvará de soltura foi expedido após o horário de expediente do Judiciário.
“Após inúmeras tentativas e muitos atendimentos via chatbox, consegui falar diretamente com o assessor do juiz que expediu o mandado de prisão. Conseguimos provar que a pessoa presa não era a real devedora. Após provar esses fatos, o juiz, já após o horário de expediente, emitiu o alvará de soltura”, explicou Wilma Fernandes.
Diante do episódio, a pedagoga e sua defesa afirmam que pretendem ingressar com uma ação por danos morais em razão dos prejuízos emocionais e psicológicos causados pela prisão indevida.
“Pelos prejuízos, danos causados, pelo abalo emocional e psicológico sofrido, não somente pela Suelen, mas também por toda a família e os amigos que sofreram junto com a situação”, disse a advogada.
Em nota, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) informou que o processo tramita sob segredo de Justiça e esclareceu que a expedição do mandado ocorreu em razão de uma inconsistência cadastral presente na petição inicial, que continha a indicação equivocada de um CPF. Segundo o tribunal, assim que o erro foi identificado, a informação foi registrada nos autos e as providências necessárias para a correção dos dados foram adotadas.
A Defensoria Pública do Estado de Goiás também se manifestou sobre o caso e informou que sua atuação foi baseada nas informações constantes no termo de declarações assinado pela pessoa atendida. A instituição afirmou ainda que, ao tomar conhecimento do ocorrido, adotou as medidas cabíveis para solucionar a situação.
Ver essa foto no Instagram
>>> Clique aqui e receba notícias de Goiás na palma da sua mão
>>> Acesse este link e siga a notícia em tempo real no Instagram














