Empresários movimentam R$ 2 bilhões com "esquema do bicho" e são presos em hotel de Goiânia
Justiça bloqueia R$ 1,5 bilhão, além de mais de 130 veículos e 111 imóveis ligados ao grupo

Dois empresários de Anápolis, pai e filho, foram presos preventivamente em um hotel em Goiânia suspeitos de integrar o comando de um esquema interestadual de jogo do bicho que, segundo a Polícia Civil, movimentou mais de R$ 2 bilhões nos últimos três anos.
Justiça bloqueia R$ 1,5 bilhão, além de mais de 130 veículos e 111 imóveis ligados ao grupo.
Uma operação da Polícia Civil do Paraná, com apoio de equipes de Goiás, desmantelou parte de uma organização criminosa especializada na exploração ilegal de jogos de azar, com foco no jogo do bicho — agora operado de forma digital.
Os dois empresários foram localizados e presos enquanto estavam hospedados em um hotel na capital goiana. De acordo com os investigadores, eles se preparavam para embarcar rumo a São Paulo, onde participariam de um evento ligado a apostas esportivas.
Além deles, mais de 20 pessoas foram presas nos estados do Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Segundo a polícia, o grupo atuava de forma estruturada, com divisão clara de funções e forte uso de tecnologia para ampliar o alcance das apostas ilegais.
As investigações apontam que o esquema movimentou mais de R$ 2 bilhões em apenas três anos. O tradicional jogo do bicho, antes feito em pontos físicos como bares e bancas, passou a ser operado pela internet, por meio de plataformas digitais desenvolvidas pela própria organização.
Justiça bloqueia R$ 1,5 bilhão, além de mais de 130 veículos e 111 imóveis ligados ao grupo
A apuração começou há cerca de quatro anos no interior do Paraná. Foi lá que, segundo a polícia, o grupo desenvolveu softwares e sistemas para digitalizar as apostas. Já em Goiás, especialmente em Anápolis, funcionava o núcleo financeiro da organização, responsável por lavar o dinheiro obtido de forma ilícita.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, os empresários presos operavam uma empresa de tecnologia voltada ao desenvolvimento de plataformas de apostas online. A investigação indica que essa empresa possui autorização para atuar no setor de loterias em estados como Rio de Janeiro e Paraíba, além de estar habilitada a explorar apostas esportivas no país.
A suspeita é de que o grupo misturava recursos legais — oriundos dessas atividades autorizadas — com valores obtidos ilegalmente, criando um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro.
A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 1,5 bilhão em bens dos investigados, além da apreensão de mais de 130 veículos e 111 imóveis. Os suspeitos poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e exploração ilegal de jogos de azar.
A reportagem tentou contato com a loteria do estado do Rio de Janeiro, que teria licenciado uma das empresas investigadas, mas não houve retorno. A defesa dos empresários também não foi localizada.
As investigações seguem em andamento.














