Em conversas com aluno de 13 anos, professor pede "foto mostrando pau"; veja prints
O professor dava aulas em várias escolinhas de futebol da região e usava o pretexto de que queria “agenciar a carreira” para a vítima

Professor de escolinha de futebol, Itamar Santos dos Anjos, 32, preso pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal, sob suspeita de estupro de vulnerável e assédio sexual contra um menino de 13 anos, teve conversas flagradas pelos agentes que servem como provas dos crimes, já que pedia nud3s para o menor. Veja print das conversas na galeria de fotos.
A prisão ocorreu na quarta-feira (28), em um campo de futebol da cidade, após denúncias que apontavam o treinador como autor de violência sexual contra o adolescente. Segundo a Polícia Civil de Goiás (PCGO), Itamar se valia da posição de professor e do argumento de que poderia “agenciar a carreira” esportiva do garoto para se aproximar e conquistar a confiança da vítima.
Conversas revelam assédio e coerção
Mensagens de celular às quais a polícia teve acesso mostram o teor sexual das abordagens feitas pelo professor. Nas conversas, Itamar exige imagens íntimas do adolescente e dá instruções explícitas sobre o tipo de foto que queria receber.
Em um dos trechos sob investigação, o professor escreve: “Manda foto do corpo também, pode confiar. Foto só que mostrando o pau”. Em outra mensagem, insiste que o adolescente envie imagens “nu, de corpo todo”, reforçando que “ninguém pode nem imaginar” o que estava acontecendo e garantindo que o assunto deveria permanecer apenas entre os dois.
De acordo com os investigadores, as conversas indicam não apenas assédio, mas também coerção emocional e psicológica. Itamar tenta normalizar o conteúdo sexual, promete sigilo e usa a relação de autoridade como forma de pressionar o adolescente. Em um dos trechos citados pela polícia, ele chega a afirmar que “vai gozar dentro”, enquanto exige que o garoto envie fotos do órgão genital.
Para a delegacia especializada, o conjunto desses elementos indica um padrão de abuso, em que o adulto se aproveita da vulnerabilidade da vítima, da diferença de idade e do contexto de hierarquia – professor e aluno – para tentar manter o silêncio e dar continuidade ao crime.
Prisão em campo de futebol
A detenção de Itamar ocorreu em um ambiente que ele frequentava com frequência: um campo de futebol da cidade, onde dava aulas para crianças e adolescentes. Policiais civis da DPCA foram ao local na quarta-feira (28/1) para cumprir o mandado de prisão.
Segundo a delegada Tamires Teixeira, da PCGO, o professor atuava em várias escolinhas de futebol da região, o que amplia a preocupação das autoridades sobre a possibilidade de existirem outros casos. “Ele se apresentava como alguém capaz de abrir portas no futebol, dizendo que ajudaria a ‘agenciar a carreira’ dos garotos. Essa promessa era usada para ganhar confiança e criar uma relação de proximidade com as crianças”, afirmou a delegada.
Após a abordagem, Itamar foi conduzido à delegacia, onde prestou depoimento. A polícia não informou, até o momento, se o suspeito confessou os crimes ou se apresentou alguma versão para as mensagens encontradas.
Celular apreendido e busca por outras vítimas
No mesmo dia da prisão, os agentes apreenderam o celular do professor. O aparelho será submetido a perícia para localizar outras conversas, possíveis registros de pornografia infantil e indícios de novos alvos.
A DPCA apura se o padrão verificado nas mensagens com o menino de 13 anos se repete com outros alunos das escolinhas em que o suspeito trabalhava. Investigações desse tipo costumam envolver análise de aplicativos de conversa, fotos, vídeos e histórico de contatos.
A polícia também não descarta que outros responsáveis por crianças e adolescentes que tiveram contato com o professor possam ser chamados para prestar depoimento. A intenção é identificar se houve relatos anteriores de comportamento inadequado que não tenham sido formalmente denunciados.
Estupro de vulnerável e assédio sexual
Itamar responde, em um primeiro momento, pelos crimes de estupro de vulnerável e assédio sexual. Pela legislação brasileira, qualquer ato de cunho sexual envolvendo menor de 14 anos é caracterizado como estupro de vulnerável, independentemente de consentimento da vítima ou de ausência de violência física.
O envio e a solicitação de imagens íntimas de crianças e adolescentes podem configurar tanto produção quanto armazenamento ou divulgação de pornografia infantil, condutas também previstas na legislação penal e consideradas graves.
Autoridades ressaltam que casos desse tipo muitas vezes começam em ambiente de confiança – como escolas, atividades esportivas ou espaços de convivência – e se deslocam para o ambiente digital, onde o agressor tenta isolar a vítima, criar segredos compartilhados e dificultar que o abuso seja revelado.
Proteção e denúncia
A DPCA de Águas Lindas afirma que segue recebendo informações e que a colaboração da comunidade é fundamental para o avanço das apurações. Familiares, responsáveis e possíveis vítimas podem procurar diretamente a delegacia ou utilizar canais oficiais de denúncia.
Em situações que envolvam suspeita de violência ou exploração sexual contra crianças e adolescentes, especialistas recomendam que pais e responsáveis fiquem atentos a mudanças bruscas de comportamento, medo de frequentar determinados lugares ou recusa em manter contato com certos adultos.
No caso em investigação, a identidade do adolescente é preservada por lei. A polícia não divulgou detalhes sobre seu estado emocional, mas informou que o menino e sua família estão sendo acompanhados.
Itamar segue preso preventivamente enquanto a Polícia Civil de Goiás aprofunda as diligências para esclarecer o alcance dos crimes e identificar se há outras vítimas ligadas às escolinhas de futebol onde o professor atuava.

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