Dono do banco Master é preso pela PF no aeroporto tentando fugir após fraude de R$ 12 bilhões
Daniel Vorcaro foi detido horas depois do anúncio da venda do banco e dias antes de o Banco Central decretar a liquidação da instituição

A Polícia Federal (PF) prendeu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na segunda-feira (17) no aeroporto de Guarulhos. Segundo os investigadores, Vorcaro tentava deixar o país em um avião particular, com destino a Malta, na Europa. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que mira um esquema de venda de títulos de crédito falsos que pode ter movimentado a cifra de R$ 12 bilhões.
Daniel Vorcaro foi detido pela PF horas após o consórcio liderado pelo grupo Fictor Holding Financeira anunciar um acordo para a compra do Banco Master.
A PF alega que Vorcaro estava em uma tentativa de fuga do país. Sua defesa, no entanto, nega veementemente a acusação, afirmando que o destino final do voo era Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde ele se encontraria com parte dos compradores do banco.
O Esquema Investigado
A Operação Compliance Zero investiga um esquema de emissão de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) pelo Banco Master. A promessa era oferecer aos clientes retornos de até 40% acima da taxa básica do mercado, um rendimento considerado irreal pela investigação. A PF estima que o esquema de venda de títulos de crédito falsos tenha movimentado cerca de R$ 12 bilhões.
A operação cumpriu seis dos sete mandados de prisão expedidos. Além de Vorcaro, outros quatro diretores do banco também foram presos. Vinte e cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.
Após a prisão, Vorcaro foi encaminhado para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.
Intervenção do Banco Central
Na manhã desta terça-feira, a situação do Banco Master se agravou. O Banco Central (BC) emitiu um comunicado decretando a liquidação extrajudicial da instituição e a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores.
Com a medida do BC, qualquer negociação de compra que estivesse em andamento, como o acordo anunciado com o grupo Fictor, foi interrompida automaticamente.
O acordo de compra com o grupo Fictor envolveria investidores dos Emirados Árabes Unidos e previa um aporte imediato de R$ 3 bilhões para reforçar o caixa do Master, que passava por dificuldades financeiras. O negócio ainda dependia de aprovação do Banco Central e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
O CDB é um investimento de renda fixa no qual o cliente empresta dinheiro ao banco em troca de juros, com rentabilidade que pode ser pré-fixada ou pós-fixada.

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